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Que tipo de cota racista você prefere?

Desde que as primeiras cotas racistas foram instituídas no Brasil um debate é incessante: qual o pior cenário possível?

a) Que haja auto-determinação étnica, fazendo com que loiros de olhos azuis com nomes do tipo ‘Catarina Ana Huback Mallmann’ possam se inscrever livremente como negros / índios / pardos / afrodescendentes / o diabo a quatro ?

b) Que haja tribunal racial com base em critérios fenotípicos: notas de jurados levantando plaquinhas de 0 a 10 avaliando os quesitos fenotípicos / aplicação de escala Pantone para julgar objetivamente a cor da pele / frenologia para o formato do crânio / análise bioquímica para mensurar o percentual de pontes dissulfeto no cabelo / o diabo a quatro ?

A discussão é antiga, remonta a origem do sistema de cotas racistas no Brasil e teve seu momento mais épico na Universidade de Brasília em 2007: naquele ano, dois gêmeos univitelinos (portanto: com mesmo formato de crânio, mesmos tipos de lábio e nariz, mesma faixa de tons na Escala Pantone, mesma qualidade de cabelo…) se inscreveram pelo sistema de cotas daquela instituição.

Até aquele ano a UnB usava tribunal racial para decidir quem era mesmo preto e quem era mesmo branco, separando assim quem podia ou não tirar menores notas e passar na frente do outro que foi melhor.

Não é que o tribunal da UnB decidiu que um dos gêmeos univitelinos era branco e o outro era negro?

O caso virou capa da Veja e durante alguns anos os tribunais raciais foram abandonados, com apoio de boa parte do movimento negro, que acusava de ‘colorismo’ quem defendia que se pode definir etnia pelo fenótipo.

Mas aí aconteceu o inevitável: um monte de mestiços de ascendência polonesa por parte de pai e japonesa por parte de mãe (ou qualquer coisa do tipo) passaram a se declarar negros nos vestibulares de medicina, direito, jornalismo et cetera das principais federais.

E o movimento negro (ou boa parte dele) ficou fulo nas calças e passou a exigir a pronta retomada dos tribunais raciais, no que foram atendidos por muitas instituições, inclusive a… sempre gloriosa… Universidade de Brasília.

Eu sou contra qualquer sistema de cotas, inclusive as sociais e para estudantes de escola pública (as quais defendi no passado, mas mudei de ideia).

Posso expor minhas razões em outra postagem ou nos comentários, se a conversa ficar quente.

Mas no momento lanço mesmo apenas uma questão, considerando que os sistemas de cotas racistas existem no Brasil, inevitavelmente, e tudo indica que por mais um bom tempo, qual é o critério de definição de etnia mais perverso.

Auto-declaração ou tribunal racial ?

Nota: para quem não conhece, o senhor que ilustra a imagem é o economista estadunidense Thomas Sowell, professor da Universidade de Stanford, e um dos maiores críticos das cotas racistas (ou sistemas similares) nos EUA e no mundo. Vale a pena procurar por seus artigos, palestras, livros e entrevistas sobre o assunto.

[Atualização: a UnB, poucos meses depois de decidir retornar aos tribunais racistas, voltou a cometer o mesmo erro: classificou duas irmãs gêmeas idênticas, uma como branca outra como negra.

Resultado: a que tirou a nota mais baixa passou e a que tirou a nota mais alta não passou no vestibular]

~~ Daniel Reynaldo

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