Artigos próprios Sexismo

IBGE revela: homens são a maioria dos trabalhadores infantis e trabalham mais horas por semana nas atividades mais periculosas

Minha mãe dizia sempre: “Verdade pela metade é mentira completa”.

Esta frase é traduzida entre cientistas como ‘cherry picking’: um tipo de manipulação que consiste em chamar a atenção para as variáveis cujos dados interessam a determinado discurso e omitir as variáveis cujos dados se opõem ao mesmo discurso.

O nome vem da forma como se faz a coleta de cerejas no campo: pegando as atraentes com a ponta dos dedos e jogando no cestinho, lançando as outras na grama.

Peguemos o exemplo das desigualdades trabalhistas entre homens e mulheres. O discurso que progressistas vendem é o de que o cenário é amplamente favorável aos homens e preconceituoso contra as mulheres.

Para isso grandes empresas de comunicação, professores e pesquisadores de humanas, partidos e ativistas feministas costumam usar duas fontes: o IBGE (principalmente através da PNAD, do Censo e da PNAD C) e o Catho.

É a partir delas que nascem manchetes como “Mulheres ganham menos que os homens em todos os cargos e áreas, diz pesquisa” [O Globo] ou “Mulheres trabalham cinco horas a mais e ganham 76% do salário dos homens” [HuffPost] ou “IBGE: mulheres estudam mais e ganham menos” [O Dia] ou ainda “Mulheres ganham menos e gastam mais tempo com familiares, diz IBGE” [Folha de S. Paulo].

Quantas mentiras foram contadas nestas matérias? Nenhuma… ou muitas: todas estas informações são verdades contadas pela metade, a partir da cuidadosa seleção e mistura de informações para criar uma percepção fictícia de que no campo laboral as mulheres estão perdendo, perdendo e os homens ganhando, ganhando.

Eu fiz o mesmo – apenas para te chamar atenção para este texto – na imagem que ilustra esta postagem.

Selecionei variáveis reais, retiradas dos dados oficiais do IBGE e as casei para dar a impressão de que os homens estão perdendo, perdendo, perdendo e as mulheres ganhando, ganhando, ganhando sempre.

Mas não é verdade! Lidos honestamente, os dados do IBGE e do Cathos apresentam cenários complexos, multifatoriais, em que uma variável é explicativa de outra e não pode ser interpretada isoladamente.

Qualquer pessoa que se debruce sobre os dados do IBGE e do Cathos [ vou deixar links para tudo que eu afirmar no parágrafo abaixo ] encontrará o seguinte:

Estatisticamente homens trabalham mais horas por semana; em setores que tendem a concentrar as atividades mais periculosas, pesadas e técnicas [indústria, extração e construção civil]; são a maioria entre os trabalhadores noturnos; em média estudam menos anos e entram no mercado de trabalho muito mais cedo, mas quando chegam a se formar escolhem as carreiras mais lucrativas[ e difíceis também]; costumam trabalhar em postos mais distantes de casa e – em função disto – gastam mais tempo no trajeto de ida e volta do emprego.

Por outro lado: mulheres costumam trabalhar mais horas por semana em atividades domésticas e receber salários menores.

Quando O Globo alardeia que homens ganham mais em todos os cargos ele ignora o fato de que também em todos os cargos os homens são mais propensos a trabalhar mais horas [ considerando apenas as horas trabalhadas na empresa, já que estamos falando de salário], em atividades mais pesadas e em turnos mais cansativos, por exemplo.

Quando a Folha destaca que mulheres trabalham mais em casa, omite que homens trabalham mais fora de casa, além de gastarem mais tempo no trânsito, por trabalharem mais longe.

Estou convencido de que estas diferenças são explicadas parcialmente por aspectos inerentes à natureza humana – e creio que nunca se extinguirão por completo.

Elas estão relacionadas tanto a fatos óbvios para qualquer pessoa [ como o de que mulheres engravidam e amamentam e o de que homens são mais fortes ] quanto a fatos que necessitam de uma compreensão mais profunda da biologia do comportamento – e não menos verdadeiros [ como as diferenças de tendência masculina e feminina a aceitar atividades arriscadas ou a gostar de lidar com pessoas ou de competência cognitiva em matemática e comunicação, diferenças estas compreendidas à luz de dimorfismos sexuais na fisiologia neuro-endócrina].

Outro fator que me parece ser óbvio é o de que receber altos salários favorece muito mais a homens que mulheres na disputa por parceiros sexuais (um detalhe para o qual aponta a psicóloga Susan Pinker, num artigo linkado ao final deste textão).

Todos estes aspectos colaboram conjuntamente para que as opções profissionais masculina e feminina, as formas como homens e mulheres direcionam suas estratégias particulares de vida variem estatisticamente.

Progressistas parecem entender que um mundo ideal e igualitário seria aquele em que o grupo demográfico que trabalha mais horas nas atividades mais pesadas em turnos mais cansativos em empregos mais distantes de casa chegasse em casa e exercesse o mesmo número de horas semanais de serviço doméstico e ganhasse ao final do mês o mesmo salário do grupo que exerce menos horas de trabalho fora de casa, geralmente em empregos mais próximos de casa, em tarefas menos pesadas tanto física quanto intelectualmente.

Essa noção de “igualdade trabalhista entre homens e mulheres” vendida por progressistas, em que a igualdade só é exigida em parte do cenário e em que se permanece cego a todo o resto das desigualdades é duramente atacada por filósofos e economistas como Christina Hoff Sommers, Janet Radcliffe-Richards, Thomas Sowell, Claudia Goldin, Rebecca Diamond…

Janet – professora de filosofia da Universidade de Oxford – defende que a visão de ‘igualdade’ baseada em variáveis cuidadosamente isoladas – feita por feministas modernos – é na verdade uma defesa da desigualdade contra os homens.

Claudia – professora da economia da Universidade de Harvard – fez uma análise de variáveis como as mencionadas acima e encontrou que a maior parte da desigualdade salarial entre homens e mulheres é explicada por elas.

Rebecca – economista pesquisadora da Universade de Stanford – mostra que mesmo quando isolada a variável ‘horas trabalhadas’ os motoristas de UBER ganham mais que as motoristas de UBER. Motivo, homens dirigem mais rápido, fazem mais corridas num mesmo período de tempo.

Nada disso irá afetar a mente dos seus professores de sociologia da federal, das feministas que pixam “abaixo a desigualdade salarial” com sangue menstrual na parede do banheiro feminino e dos repórteres de O Globo. Mas eu continuo lembrando: eles são desonestos contando uma grande mentira a partir de pequenas verdades isoladas e descontextualizadas.

~~ Daniel Reynaldo

Referências:

Carga horária dos homens é maior que as das mulheres (no trabalho) : GRAFICO 5.9 https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98965.pdf

Carga horária feminina é maior que a dos homens (em casa): https://g1.globo.com/economia/noticia/mulheres-passam-o-dobro-do-tempo-dos-homens-com-tarefas-domesticas-aponta-ibge.ghtml

Diferença de prevalência por sexo em diversos setores da economia (homens prevalecem nas que concentram atividades mais pesadas, periculosas, técnicas e bem remuneradas) http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2017/03/mulheres-ganham-espaco-no-mercado-de-trabalho

O número de mulheres que consegue se formar é maior:
http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/212-educacao-superior-1690610854/21140-maioria-e-feminina-em-ingresso-e-conclusao-nas-universidades

Mas homens se formam em carreiras mais difíceis e bem remuneradas: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/confira-o-ranking-das-profissoes-preferidas-por-homens-e-por-mulheres-no-brasil/

Homens trabalham mais a noite: http://www.valor.com.br/brasil/5160254/numero-de-trabalhadores-no-periodo-noturno-aumenta-em-2016-nota-ibge

Homens trabalham mais longe de casa: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482015000300366

Homens entram muito mais cedo no mercado de trabalho: https://conexaoto.com.br/2017/05/02/69-71-do-trabalho-infantil-e-feito-por-meninos-contra-30-29-das-meninas

As profissões que pagam maiores salários costumam ser muito perigosas e técnicas: homens dominam em todas elas: https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2014/12/os-setores-com-os-melhores-salarios-do-brasil.html

Estudo realizado por Rebecca Diamond e colegas investigando os motivos de mesmo num cenário em que a remuneração é definida automaticamente por algoritmos de computação, os homens continuarem ganhando mais: http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/confira-o-ranking-das-profissoes-preferidas-por-homens-e-por-mulheres-no-brasil/

Artigo de Susan Pinker sobre o tema: https://www.theglobeandmail.com/opinion/whats-really-behind-the-gender-wage-gap/article4316170/

Video-aula de Chrstina Hoff Sommers, legendado e bem mastigadinho: https://www.youtube.com/watch?v=OseohujSl3k

Thomas Sowell, de maneira igualmente mastigada: https://www.youtube.com/watch?v=e8lUs9jQnLw

Artigo de Janet Radcliffe-Richards, em que ela ataca a noção feminista moderna de “igualdade”: http://www.jpe.ox.ac.uk/papers/the-problem-of-sex-equality/

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