Artigos próprios LGBT

O ativismo sem escrúpulos do movimento LGBT

O que Cristiano Farias, morto em janeiro no Gogó da Ema; David Francis Silva Soares, morto no Morro dos Prazeres e Matheus Passareli, morto há alguns dias no Morro do 18 têm em comum?

Todos estes – e dezenas de pessoas nos últimos anos – foram vítimas do retalhamento geográfico feito por diferentes quadrilhas de traficantes de entorpecentes (e mais recentemente, milícias criminosas chefiadas por policiais) no RJ.

Entrar em qualquer área sob domínio destes grupos sem ser morador ou conhecido e sem conhecer e obedecer as regras impostas por estas quadrilhas (regras estas que variam de favela pra favela) tem sido um medo constante em quem transita pelas principais cidades do meu estado.

Cristiano pegou uma trilha errada por conta da indicação de caminho que recebeu de um aplicativo: acabou caindo no centro de uma favela e confundido com inimigos; David estava trabalhando – era motorista particular – não conhecia as regras do local quanto a transitar de janelas abertas e com pisca alerta ligado, foi metralhado; Matheus entrou completamente nu e em surto psicótico dentro de uma área dominada pelo tráfico de drogas, foi incinerado.

Todos estes três cruéis assassinatos representam bem o cenário construído durante anos no Rio de Janeiro sob influência de uma série de fatores cooperantes: a política de segurança brizolista nos anos 80/90; a cooperação dos usuários que – repetindo as palavras de uma famosa personagem do cinema, com as quais concordo integralmente – ‘financiam esta m…’; um código de execuções penais ridiculamente frouxo, que virtualmente impede que criminosos sejam punidos efetivamente…

Mas apenas uma destas pessoas está sendo usada como propaganda de um movimento político-ideológico, apenas sobre o caixão de uma destas pessoas os ativistas de suposta defesa das supostas minorias decidiram subir e fazer um palanque. (vide: https://www.facebook.com/DuMichels/posts/1747370675347746 )

Cristiano e David eram homens brancos e héteros. Ninguém obviamente imaginou dizer que haviam sido mortos em função de sexo, raça ou sexualidade.

Matheus era um jovem pardo, homossexual, portador de problemas psiquiátricos e ativista LGBT. E isto é o que ativistas como Jean Wyllys e Eduardo Michels precisavam para inventar mais um número para aquela famosa estatística de vítimas do ódio homofóbico, mais um exemplo de como pessoas estão sendo mortas “apenas por serem o que são”, por serem LGBTs.

Não deveria surpreender – vindo de um cara como Dudu Michels, que já classificou vítimas de infarto, de bala perdida, de complicações pós-cirúrgicas e de atropelamento em rodovia federal como “vítimas de crimes homofóbicos”.

Mas a morte de Matheus foi um caso de alcance nacional, foi um crime de barbaridade enorme [ eu gostaria de dizer rara, mas infelizmente não é ], e – evidentemente, para qualquer pessoa minimamente honesta – sem qualquer correlação com a sexualidade da vítima.

Dudu Michels, Luiz Mott, Marcelo Cerqueira e Jean Wyllys podiam – só desta vez – lamentar a violência assustadora que domina o Estado do Rio de Janeiro em vez de usar mais este cadáver como troféu para suas pautas.

Infelizmente pedir o mínimo já é pedir muito pra essa gente, e o GRUPO GAY DA BAHIA, liderado pelos três primeiros nomes citados no parágrafo anterior, já sacramentou: quando os grandes jornais anunciarem ano que vem – com base na pesquisa fraudulenta desta ONG – que o Brasil lidera o ranking mundial de crimes homofóbicos, a morte de Matheus, que nada teve a ver com homofobia, estará lá, entre os números que o GGB comemora todos os anos.

~~ Daniel Reynaldo

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