Artigos traduzidos Racismo

O culto ao multiculturalismo

Artigo de Thomas Sowell, parte integrante do livro The Thomas Sowell Reader

O mundo tem sido multicultural desde séculos antes desta palavra ser cunhada. Mais do que isso, ele tem sido multicultural em um modo real e prático, o perfeito oposto do modo exigido pelo culto ao ‘multiculturalismo’ de hoje.

O papel em que estas palavras estão escritas foi inventado na China, bem como a arte da impressão. As letras vêm da Roma antiga e os números vêm da Índia, através dos árabes. Tudo isto está sendo escrito por um homem cujos ancestrais vieram da África, enquanto ouve música feita por um compositor russo.

Mesmo os líderes das nações não são necessariamente nativos daqueles países. Napoleão não era francês, Stalin não era russo e Hitler não era alemão.

As plantações tem sido tão multiculturais quanto as pessoas. Grande parte da borracha produzida no planeta vem da Malásia, mas as seringueiras da Malásia vêm de sementes levadas do Brasil. O cacau cultivado na Nigéria e as batatas cultivadas na Irlanda, ambos se originaram no Hemisfério Ocidental, antes da chegada de Cristóvão Colombo.

Uma lista de todas plantações, tecnologias e ideias que tem sido espalhadas de um povo ou uma nação a outros seria uma lista da maioria das plantações, tecnologias e ideias do mundo. A razão pela qual todas estas coisas se espalham, óbvio, é que algumas coisas são consideradas melhores que outras – e as pessoas querem o melhor que conseguirem para si.

Isto é totalmente contrário à filosofia do culto ao ‘multiculturalismo’, onde as coisas não são melhores ou piores, mas apenas diferentes. Porém, as pessoas ao redor do mundo não simplesmente ‘celebram a diversidade’, elas pegam e escolhem o que de seus próprios traços culturais desejam manter e o que elas querem abrir mão em favor de algo melhor de alguma outra cultura.

Quando os europeus tiveram seus primeiros contatos com o papel e a impressão da China, eles não ‘celebraram a diversidade’, eles pararam de ficar com cãibras de tanto copiar pergaminhos e começaram a deixar as prensas fazerem o trabalho. Quando os indígenas americanos viram cavalos pela primeira vez após os europeus os trazerem pra cá, eles não ‘celebraram a diversidade’, eles começaram a montá-los para caçar, em vez de caçar a pé.

Tudo – desde automóveis até antibióticos – se espalhou pelo mundo porque pessoas queriam o melhor que elas podiam obter, não os meios ineficazes que o tal culto ao multiculturalismo chama de ‘viver em harmonia com a natureza’.

O que está em pauta não é o que eu digo ou o que o multiculturalismo ensina. O que está em pauta é o que milhões de seres humanos de fato fazem quando eles têm uma opção. Ao redor do mundo, eles tratam características culturais como coisas que os ajudam a lidar com a vida, não como peças de museu pra olhar e ficar fazendo ‘uau!’, ‘wow!’.

Quando eles percebem que seus próprios modos de fazer algo tornam as coisas melhores, eles mantém. Quando eles percebem que as maneiras de outros fazerem outras coisas tornam as coisas melhores, eles as copiam e abandonam o que faziam antes. O que eles não fazem, é o que o multiculturalismo faz: dizer que tudo é questão de ‘percepção’, que nada é melhor ou pior que qualquer outra coisa.

Multiculturalismo é uma das afetações em que pessoas podem cair quando elas usufruem de todos os frutos da tecnologia moderna e podem desdenhar amplamente do processo pelo qual ela foi produzida.

Isto não seria nada mais do que outra das muitas fraquezas da raça humana, exceto pelo fato de que o culto ao multiculturalismo se tornou a nova religião das nossas escolas e colégios, contribuindo para o esmagamento dos Estados Unidos. Tornou-se parte dos pressupostos simplórios subjacentes à políticas públicas e até mesmo decisões nos tribunais de justiça.

Quem ficaria surpreso do fato de que pessoas com diferentes ‘backgrounds’ culturais seriam diferentemente ‘representados’ em diferentes empregos, faculdades ou níveis salariais, exceto pela assunção implícita de que que todas as culturas são igualmente efetivas em todos os aspectos?

Talvez você precise dar uma ligada na sua televisão, sintonizar e assistir alguns jogos de basquete profissional, para se dar conta de que um segmento da população joga muito melhor que os demais. Se você ver as propagandas no intervalo destes eventos, você vai geralmente assistir propagandas de cervejarias que foram quase que invariavelmente estabelecidas por povos de ancestralidade germânica.

Uma vez que alemães têm preparado cerveja desde os dias do Império Romano, deveríamos ficar surpresos de que eles sejam tão bons nisso quanto os negros são em jogar basquete? Qualquer padrão baseado em qualidade vai ter ‘super-representação’ e ‘sub-representação’ de grupos diferentes, embora tal ‘impacto diferente’ possa chocar os articulistas e fazer com que juízes se lancem sobre terrenos onde anjos temem por os pés.

um comentário

  1. Uma correção, Stalin nasceu na atual Geórgia, mas a Geórgia nunca foi um país independente durante toda a vida de Stalin. Na época de seu nascimento a Geórgia era parte do Império Russo, portanto Stalin era natural da Rússia sim, ele só não era um russo eslavo. Posteriormente tanto a Rússia quanto a Geórgia eram partes da União Soviética, portanto não importava se Stalin era russo ou georgiano, ele era soviético e portanto era natural de seu país sim.

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