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Aprenda a manipular dados estatísticos com Instituto AVON, Organização das Nações Unidas e Intercept Br

O Instituto Avon, ONG feminista patrocinada por uma perfumaria de baixo custo, publicou uma pesquisa sobre violência contra mulheres que é um primor de deturpação típica dos estudos feministas.

Embora o estudo seja de 2015, tive acesso a ele hoje, após ler um tuíte da feminista Bruna de Lara com a seguinte legenda: “Sem acesso à educação sexual, muitas jovens não sabem que são estupradas – e muitos agressores não sabem que estupram. (…) ”

Fiquei curioso: como assim “é estuprada e não sabe”? Pior: como assim “estupra e não sabe”?

O tuite linkava uma matéria feita pela própria feminista para o portal de extrema-esquerda progressista Intercept Br.

Como você – que acompanha Quem a homotransfobia não matou hoje? – já sabe, a disseminação de informações fraudulentas sobre questões de minorias segue este fluxo: dados deturpados são produzidos por ONGs e a grande imprensa trata de disseminar a desinformação entre a população: a população, agora convencida, pressiona e apoia políticos que promovem leis desiguais e populistas baseadas em raça, sexo e sexualidade.

A feminista Bruna de Lara informou que “No Brasil, 38% dos jovens já cometeram violência sexual contra uma mulher na universidade” e indicou os dados do Instituto Avon como fonte pra afirmação.

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Feminista profissional do Intercept Br usou dados de pesquisa pouco confiável e se confundiu com os números apresentados

O tal relatório do instituto é apoiado por uma gama de organizações como a ONU Mulheres [ braço feminista das Nações Unidas] , o Instituto Patrícia Galvão [ ONG que também está envolvida com aquela pesquisa da UFRJ sobre mulheres mortas por serem lésbicas ], o Ministério Público de São Paulo e outros. O documento já é bastante grosseiro, mas a Bruna ainda fez questão de distorcer os dados ainda um pouco mais.

O número apresentado no documento produzido pela ONG da fabricante de cosméticos é de 13%, e não 38%. 38% seria o percentual das agressões em geral, não o percentual de “violência sexual”.

Já que o Intercept Br me fez o desfavor de apresentar este documento, deixe eu discutir os dois principais métodos usados pelo Instituto Avon para criar a sua narrativa pseudocientífica sobre violência contra mulheres.

Mistura atos não violentos e violências graves: chama tudo de “agressão”.

Esta estratégia consiste na mistura de atos de diversas naturezas como se pertencessem a uma mesma categoria.

A filósofa Christina Hoff Sommers fala sobre a mesma artimanha aplicada em pesquisas semelhantes nos EUA:

ONGs e ativistas precisam de que os números das violências que fingem combater sejam assustadores. Números altos são melhores argumentos na captação das verbas públicas e patrocínios privados que sustentam os líderes destas instituições. São também melhores argumentos para a aprovação de leis discriminatórias.

Por isso a ONG da Avon vai expandir ao máximo possível a sua definição de agressão contra as mulheres, incluindo num mesmo pacote sexo mediante coação, cantadas com uma mínima conotação erótica, beijos roubados ( um dos começos mais clássicos de relações amorosas ) e até até mesmo o ato de botar uma música do Matanza ou do AC/DC pra tocar na festa do centro acadêmico.

A Avon então apresenta duas perguntas aos voluntários do sexo masculino, uma não direcionada e outra direcionada, mais ou menos assim:

“Você já cometeu algum ato de agressão contra alguma colega do sexo feminino?” e depois ” Você já estuprou, roubou um beijo, puxou uma menina pela cintura na balada e disse que ela era linda, elogiou a combinação entre o vestido e o corpo de sua colega de faculdade insinuando interesse sexual nela, colocou uma música da Mc Carol pra tocar na recepção dos calouros, já fez alguma piada do tipo “mulher no volante, perigo constante” ou qualquer coisa semelhante?”

Obviamente a resposta positiva à primeira questão é baixíssima, porque neste caso estão inclusos apenas os homens que efetivamente cometeram algum ato violento contra colegas do sexo feminino.

Já a resposta pra segunda pergunta deu os tais 38% que a Bruna menciona no seu artigo. Nestes 38% estão – por exemplo – todos os homens que admitiram ter colocado algum disco dos Raimundos pra tocar na chopada de Farmácia.

A feminista Bruna de Lara explica – na sua matéria – que os homens “não sabiam que estavam estuprando” quando simplesmente insinuaram que sua colega estava bastante gata de vestido floral numa conversa informal no corredor do campus.

Viés por ausência de grupo-controle.

Qualquer pesquisa que trabalhe com dados quantitativos e que pretenda ser efetivamente científica depende da aplicação de um grupo-controle sobre as variáveis testadas.

Grupo-controle é uma parte da amostra cuja função é testar se o experimento aplicado à outra parte teve resultados positivos ou negativos, estatisticamente significativos ou pouco importantes.

Um exemplo clássico é o teste de duplo-cego aplicado nas pesquisas farmacêuticas, mas para qualquer experimento científico (social, biomédico, químico…) é relevante o uso de grupo-controle para mensurar o valor estatístico e as relações causais dos dados encontrados.

Neste vídeo abaixo: falando sobre o teste de duplo-cego, é explicada de forma bastante clara a importância do uso de grupo-controle em ciência:

O instituto aplica um desenho de estudo em que cada uma das perguntas é feita apenas aos entrevistados de um dos sexos.

Exemplo: 10% das mulheres entrevistadas disseram que já foram vítimas de alguma agressão, quando ainda não tinham sido informadas sobre qual a definição de agressão usada no estudo.

Depois de explicado que “agressão” pode ser desde estupro até exposição a cantos de guerra da atlética (como os do vídeo abaixo) o valor subiu pra 67%.

Você pode e deve estar se perguntando: “Mas qual o percentual de homens que já sofreram de mulheres atos semelhantes a estas que os pesquisadores chamam de agressões? Pois é: esta pergunta não foi feita.

Outra utilidade da aplicação de um grupo-controle seria a possibilidade de resolver problemas como o mostrado na primeira imagem que ilustra este post.

Segundo os resultados obtidos pelo Instituto Avon os homens respondem menos que agridem do que as mulheres respondem que são agredidas.

Este resultado por si só representa um forte indício de que algo vai de errado no desenho do estudo: mudanças na composição do questionário, nos métodos de aplicação ou na composição das amostras poderiam ser úteis.

Mas um passo inicial, que já poderia esclarecer se são os homens quem estão minimizando os atos que cometem ou as mulheres quem estão exagerando os atos que sofrem pode ser exatamente a formulação das mesmas perguntas pra ambos os lados, de forma idêntica. As comparações quanto as respostas poderia dar uma luz sobre o que de fato está acontecendo.

Que pena que – cuidadosamente – o Instituto Avon só fez perguntas sobre perpetração para os homens e só perguntas sobre vitimização para as mulheres.

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