Uncategorized

Racismo? Sexismo? Preconceito de Classe? Apenas mais uma pesquisa com o selo da Avon

O Instituto Avon – aquele mesmo que considera “fazer lista de mulheres mais bonitas da turma” como exemplo de “agressão contra mulheres” – publicou um curioso infográfico sobre as discussões sobre violência contra mulheres na internet.

Segundo os dados apresentados pela ONG patrocinada por uma perfumaria popular 100% das vítimas de assédio e violência em discussões na internet são mulheres, 80% são negras e mais de 75% são das classes C e D.

Segundo os mesmos dados, 96% dos “haters” (palavra inglesa que pode ser traduzida por “propagadores de ódio”) são homens, 79% são brancos e 86% são jovens adultos, sendo mais da metade das classe A e B.

 Imagem1
São resultados muito curiosos: me pareceram muito mais revelar um desejo de santificação de algumas categorias de pessoas e demonização de outras.

A pesquisa foi feita – aparentemente, pelo pouco de informação que existe sobre a metodologia – com base em análise semântica de sites, comunidades e perfis em redes sociais. Ou seja: os pesquisadores visitavam páginas na internet, viam quem estava falando sobre violência “de gênero’ ou “violência sexual” e verificavam quem era vítima, quem era agressor, quem apoiava a violência, quem combatia a violência… com base nos textos escritos nos posts e comentários.

Resultados muito claros: métodos bastante obscuros

Fico me perguntando: será que os pesquisadores se deram ao trabalho de visitar páginas feministas misândricas como “Não me Khalo”, “Catraca Livre”, “Quebrando o Tabu” ou Huffington Post?

Por falar em HuffPost, como a Avon classificaria o este famoso tuíte de uma diretora do portal, que ilustra este post? Será que ela foi ‘hater’ ao tuitar que seu plano de ano novo incluia matar todos os homens?

Fiquei curioso em saber mais sobre os materiais e métodos das pesquisa: que cortes epistemológicos foram utilizados, como foram selecionadas as amostras, quais os critérios analisados para categorizar um ou outro lado como “vítima” ou como “hater”.

Por exemplo: sabemos que em outras pesquisas patrocinadas pelo Instituto Avon só são feitas perguntas de vitimização às mulheres e perguntas de perpetração só são feitas aos homens. Ou seja: os pesquisadores perguntam aos homens apenas se eles já cometeram determinado ato de agressão (como ter feito alguma lista de mulher mais bonita da turma, junto com os amigos), e às mulheres perguntam apenas se já sofreram algum ato violento (como ter sido eleita a menina mais bonita da turma).

Será que não foram usados métodos semelhantes, para que a Avon chegasse ao assombroso percentual de 100% de vítimas do sexo feminino?

Infelizmente – assim como nos outros de seus “estudos” – a ONG da Avon não disponibilizou o estudo em si, com a descrição da base teórica, materiais e métodos, planilhas, discussões et cetera: apenas um infográfico com os resultados brutos.

Vou continuar acompanhando as pesquisas aparentemente “muito sérias” deste instituto 🙂

PS.: Sou homem, mulato, de classe C e tenho 39 anos! Para o caso de a Avon desejar me incluir aí nos “hateres”, fiquem a vontade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s