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Não chama o china de japa não, opora!

Foi-se o tempo que a revista Marie Claire era uma publicação destinada a fazer divulgação de produtos de vestimenta e maquiagem de grife para mulheres adultas de classes A e B e a publicar relatos de algumas destas mesmas mulheres sobre como uma teve uma transa louca com um advogado belga desconhecido encostada no muro de uma estação do metrô em Paris e como outra teve uma transa louca com um professor desconhecido na garagem de uma faculdade em Londres.

Agora – entre os tradicionais matérias de divulgação para marcas de maquiagens caríssimas e os tradicionais relatos sobre a experiência de uma leitora em uma suruba com homens e mulheres de muitas nacionalidades distintas numa estação de esqui no Canadá – a Marie Claire lacra.

Porque, no Leblon e na Vila Madalena, onde vive o publico alvo da publicação, a moda das modas é o lacre: a desconstrução, o tombamento, a problematização.

No episódio lacroso de hoje temos uma matéria explicando sobre como ter preferência erótica por japas e dizer que os japas são excepcionalmente bons em matemática é racismo contra os japas, chinas e assemelhados.

Aliás: chamar oriental de japa também é preconceito contra os japas.

Nada de muito diferente do que já nos habituamos a ler nas postagens de Catraca Livre, Quebrando o Tabu, HuffPost et cetera.

O destaque ficou mesmo pelo amadorismo dos responsáveis pela página oficial da revista no Facebook ao responder aos críticos do teor da matéria e da chamada.

Em um dos melhores momentos, o administrador da fan-page diz que “Tomara que chamar alguém de japa vire crime”; em outra participação ele insinua que uma mulher casada com um japonês e mãe de três japas é racista contra os japas.

Surpreende porque a Marie Claire faz parte do portfolio da Editora Globo: marcas vinculadas às Organizações Globo costumavam fingir seriedade, no que costumamos chamar de “Padrão Globo”.

Parece que perderam a linha de vez e esqueceram de fingir vergonha na cara. Ou então os direitos da revista foram vendidos para uma joint-venture formada pela Catraca Livre, a Quebrando o Tabu e a Não me Khalo e ainda não fomos avisados.

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