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UFRJ: alunos exigem cotas raciais até pra pegação na chopada

“Sou caloura e amei a festa de ontem no Mangue. UFRJ pisa muito. Porém, algo me incomodou tanto…”

Assim começa um desabafo na página de recadinhos anônimos dedicada a alunos da UFRJ. A moça conta que ficou surpresa ao notar que as meninas de pele escura não chamavam muito a atenção dos homens na festa.

Como não estava ocupada sendo xavecada por ninguém, a caloura decidiu fazer um experimento social de improviso no meio da balada: entrevista uma aqui, outra ali, e chega a conclusão de que os homens só se aproximam das meninas de pele escura depois de bêbados e com as piores intenções: sexo sem romance.

Munida dos resultados de seu experimento social amador ela chega em casa, senta na cadeira, abre o notebook e manda bala do desabafo:

O apoio foi quase unânime entre os seguidores que apareceram para comentar, a maioria dos quais, alunas da UFRJ, também mulatas.

  • “Normal, mana! Bem vinda a UFRJ e se possível, busque rolê com gente preta, sei que é difícil já que somos minorias aqui. No início percebi isso mas acabei me acostumando.”, disse uma;
  • “Como diria Malcolm X, “a pessoa mais desrespeitada na América é a mulher negra, a pessoa mais desprotegida na america é a mulher negra. A pessoa mais negligenciada na america é a mulher negra”. Então girl procure indivíduos que ñ faça vc odiar sua caracteristicas, mas, sim, exalta-las.”, filosofou o outro;
  • “A Bell Hooks já nos disse isso amore,a solidão da mulher negra..Se junte a um Coletivo,e ão permita que a limitação dos outros,vire a sua.”, convidou a próxima;
  • “Achei que so eu tivesse essa impressão , por isso afrocentrei toda”, mais uma;
  • “O lance é se aproximar e se firmar com os pretos da universidade. Somos nós por nós sempre, e sempre vai ser.”, um último exemplo.

Havia claro quem questionasse: eu e mais dois ou três:

  • “O BRASIL QUE EU QUERO É ONDE EU POSSA DECIDIR QUEM AS PESSOAS DEVEM ACHAR BONITA”.
  • “As pessoas tem direito as suas preferências e negar isso a elas é uma violência da qual só a galerinha desconstruída em nome do amor e de um mundo melhor seria capaz.”

A estes, a menina que tinha sugerido buscar ‘rolê com gente preta’ mandou um recado:

Solidão da mulher negra: um mimimi hipócrita

Não tenho pretensão de discutir se traços étnicos influenciam no sucesso sexual ou amoroso. Me parece óbvio que alguns padrões fenotípicos são mais atraentes que outros do ponto de vista sexual, e duvido que qualquer pessoa o refute honestamente. Aspectos físicos como cor dos olhos, cor-de-pele, formato do nariz, tipo de cabelo diferem de etnia para etnia e me é óbvia a relação deles com o desejo erótico.

Altura, tom de pele, IMC, modelo do carro, corte de cabelo, fragrância do perfume usado, estilo, habilidades sociais, habilidades verbais, tamanho dos seios, idade, formato do bumbum, bíceps e tríceps…

A questão não é a verdade explícita no desabafo, mas a hipocrisia igualmente evidente: seleção sexual é um componente essencial do comportamento humano, de todo ser humano.

Ela afeta a todos nós tanto como agentes como pacientes: nenhuma pessoa com vida sexual ativa está livre de escolher parceiros por critérios que possam ser mais ou menos “fúteis”, ou de ser selecionada ou excluída pelos mesmos: nenhum ser humano escolhe parceiros sexuais ou amorosos tendo em mente apenas a “beleza interior”, e tenho absoluta certeza de que a anônima autora do post ou qualquer um dos mulatos e mulatas que comentaram na publicação também não o fazem.

Altura, tom de pele, IMC, modelo do carro, tipo e corte de cabelo, fragrância do perfume usado, estilo das roupas usadas, habilidades sociais, habilidades verbais, habilidade em dançar, tamanho e formato dos seios, idade, tamanho e formato do bumbum, tamanho do bíceps e do tríceps, gostos musicais, preferências políticas, afinidades religiosas, bairro de moradia… estes são apenas alguns dos quase infinitos critérios que estão em jogo nas seleções que humanos fazem ao decidir a quem paquerar na balada ou com quem não puxar conversa; a quem dar coraçãozinho no Tinder ou a quem oferecer um X; com quem desenvolver aquela conversa no Happn ou com quem deixar o papo esfriar.

Pessoas que escrevem textões sobre a solidão da mulher preta ou que fazem discurso sobre a gordofobia nos relacionamentos afetivos ignoram as próprias seleções sexuais que fazem e preferem se vitimizar pela seleção sexual que sofrem.

Via de regra, são pessoas com pouquíssimos atrativos em termos de “seleção sexual”, mas que não sabem calibrar bem as suas possibilidades.

Esperam ser pedidas em namoro pelo bombadão loiro morador de Ipanema ou (sendo homens) pela menina magrinha do peitinho durinho totalmente feminina.

Excluem os pretendentes que estejam realmente em seu nível de possibilidades (os pobres, os nerds, as gordinhas, as mães de Enzo): restrigem sua mira a pretendentes com níveis de ‘sex appeal’ para os quais não possuem uma ‘contrapartida justa’ a oferecer, e ao serem rejeitados choram dois baldes inteiros pelo excesso de critério… do outro.

Solidão da mulher negra: um mimimi inútil

Pode até ser que a menina tenha chegado ao ensino superior mediante sistema de cotas, provavelmente sim.

É possível que ela tenha sido mal acostumada com a ideia de que para todo e qualquer fator deva haver uma previsão legal de paridade, garantida pelo estabelecimento de legislações discriminatórias.

Mas não é verdade: não há paridade na seleção sexual.

E por mais desabafos que se faça em comunidades universitárias… e por mais “lacrou miga”, “tombou mana” e “cola com as preta, favela” que tais desabafos produzam… as pessoas continuarão tendo preferências de escolha de parceiro, e estas escolhas continuarão parecendo injustas aos que não vieram ao mundo com tanta sorte de terem nascido bonitos, ricos e descolados.

Há apenas um tipo de pessoa que de fato se beneficia com este tipo de choro coletivo dos ativistas de minorias sobre os “padrões de beleza impostos pela sociedade eurocêntrica patriarcal”: pessoas como Djamila e Stephanie Ribeiro, que lucram em cima do ressentimento vendendo livros e cobrando por palestras que ensinam mulheres a se vitimizarem e culparem aos outros por seus fracassos.

O resto dos ativistas da “solidão da mulher gorda”, “solidão da mulher negra” ou “solidão do homem nerd” apenas entram num espiral de ressentimento sem nenhum efeito positivo para si próprios.

Não adianta espernear nas redes sociais: ninguém vai te paquerar por cotas!

7 comentários

  1. Esqueceu da Daiane a ex Xerxes que também pautava a solidão da mulher birrenta e “palmitágem” (termo mas racista impossível), mas assim como a Dj-Milla, ambas tem relacionamentos com HOMENS BRANCOS e muito bem em situação financeira.

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  2. Isso me lembrou uma cadeirante gringa reclamando que os homens a “respeitava” e não a “objetificava”. Que ela se sentia mal por não ser “objetificada”. kkkkkk
    O feminismo é um ciclo de insatisfação. Reclama do dia, reclama da noite. E há pessoas que se aproveitam disso para lucrar.

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  3. isso me lembrou uma cadeirante gringa reclamando que os homens a “respeitava” e não a “objetificava”. Que ela se sentia mal por não ser “objetificada”. kkkkkk
    O feminismo é um ciclo de insatisfação. Reclama do dia, reclama da noite. E há pessoas que se aproveitam disso para lucrar. Que se aproveitam da insegurança feminina.

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  4. Caralho, the texto ridículo. Começa com a falácia do espantalho logo no título. O texto postado no Spotted denuncia o racismo vivenciado por uma pessoa, em nenhum momento “exige cotas na pegação”.

    O/a autor/a desse texto ignora que existe racismo, que existe padrão de beleza, que existiu exploração e imperialismo europeu durante séculos ensinando a sociedade que X é bonito e Y é feio.

    E ainda se escuda em uma puramente biológica seleção sexual. A questão é cultural! Claro que existe seleção sexual, mas quando a sociedade foi condicionada por séculos de racismo, não dá pra falar apenas em influências biológicas e negar as influências sociais.

    E, acima de tudo, o texto do Spotted não propõe “cotas na pegação”, ele é apenas denúncia e convite à reflexão. Reflita sobre suas preferências afetivas e sexuais, será que elas podem estar manchadas por vieses e preconceitos?

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  5. Caralho, que texto ridículo. Começa com a falácia do espantalho logo no título. O texto postado no Spotted denuncia o racismo vivenciado por uma pessoa, em nenhum momento “exige cotas na pegação”.

    O/a autor/a desse texto ignora que existe racismo, que existe padrão de beleza, que existiu exploração e imperialismo europeu durante séculos ensinando a sociedade que X é bonito e Y é feio.

    E ainda se escuda em uma puramente biológica seleção sexual. A questão é cultural! Claro que existe seleção sexual, mas quando a sociedade foi condicionada por séculos de racismo, não dá pra falar apenas em influências biológicas e negar as influências sociais.

    E, acima de tudo, o texto do Spotted não propõe “cotas na pegação”, ele é apenas denúncia e convite à reflexão. Reflita sobre suas preferências afetivas e sexuais, será que elas podem estar manchadas por vieses e preconceitos?

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  6. “O autor desse texto ignora que existe racismo, que existe padrão de beleza…”

    O autor da resposta precisa reler o texto (ou, talvez, aprender a ler).

    Eu não ignoro no texto que padrões de beleza existam: eu afirmo no texto que padrões de beleza existem E que fazem parte da condição natural do comportamento sexual humano.

    “E ainda se escuda em uma puramente biológica seleção sexual. A questão é cultural…”

    A cultura humana é um aspecto emergente da biologia humana, jovem.

    Se o senhorito der uma relida no texto verá que eu não apenas não ignoro elementos culturais influenciando na seleção sexual humana como menciono alguns deles textualmente, todavia o senhorito acha mesmo que (por exemplo) o comportamento humano de catar macho ou fêmea em eventos noturnos embalados por música é meramente “cultural”, você acha mesmo que a preferência humana por parceiros do mesmo nível intelectual ou financeiro é meramente “cultural”, você acha mesmo que existe alguma cultura que emerja longe dos instintos e à distância das influências do que ocorre no sistema neuroendócrino, jovem?

    O senhorito está precisando ler melhor ou ser mais honesto intelectualmente ou compreender melhor a biologia do comportamento humano… ou as três coisas juntas: mais provável.

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