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Cotas para pobres e estudantes de escola pública são mesmo melhores que as cotas racistas? – CAPÍTULO I

Texto originalmente publicado aqui

 CAPÍTULO 1: ‘ESCOLAS DE RICO’ VS ‘ESCOLAS DE POBRE’

Se você é do Rio, deve conhecer os dois logotipos à esquerda da imagem abaixo: são os símbolos dos tradicionalíssimos Colégio Pedro II e Colégio de Aplicação da UFRJ.

ESCOLA DE RICO ESCOLA DE POBRE

Com suas principais unidades localizadas em bairros nobres do Rio: Lagoa, Humaitá e Tijuca, tanto o Pedro II quanto o CAp UFRJ têm um corpo discente fundamentalmente formado por filhos das classes média-alta e alta do Rio: do primeiro já foram alunos 5 ex-presidentes da República, Jô Soares, Fátima Bernardes, Gerald Thomas… do segundo Bel Kutner, Miguel Paiva… estagiei por três anos em uma das unidades do CPII, entre meus ex-alunos: filha de juíza, filhos de professores de universidades federais… Este é o perfil dos pais de alunos dos principais colégios federais do Rio: médicos, professores universitários, jornalistas, engenheiros, funcionários públicos de alto escalão.

Os colégios da rede federal têm corpo docente muito bem formado e bem remunerado.

Uma colega minha, portadora de um título de doutorado em ecologia pela UFRJ, leciona Ciências para alunos do sexto ano da Unidade Tijuca. Salário superior a 10 mil reais mensais. Outra: com mestrado em genética pela mesma universidade, dá aulas para o nono ano. Pense em quantas escolas particulares têm professores com doutorado e salário superior a 12 salários mínimos lecionando para crianças de 12 a 15 anos de idade.

Tanto CAp UFRJ quanto CPII aparecem na lista de 100 melhores colégios do Rio em 2016 de acordo com os resultados do ENEM.

Os dois logotipos à direita da imagem só serão reconhecidos por quem vive nos bairros suburbanos de Bangu, Realengo e adjacências.

Não tenho conhecimento de qualquer figurão global ou ex-presidente que tenha estudado no Colégio Gissoni ou no Colégio Realengo. Sei que o corpo discente destas escolas é fundamentalmente composto por filhos de membros da classe média baixa: técnicos de enfermagem, professores da rede pública estadual, comerciantes suburbanos. Seus corpos docentes não são nem tão bem remunerados nem tão bem formados quanto nas escolas da rede federal de ensino.

Os pais que matriculam seus filhos nestes colégios em geral tentam fugir do péssimo padrão de ensino das escolas das redes municipal e estadual, e fazem o que podem pra pagar uma escola melhorzinha.

Nem o Colégio Realengo nem o Colégio de Aplicação da Universidade Castelo Branco figuram entre as 100 melhores escolas do Rio.

Todavia…

… ao tentarem vaga em qualquer universidade pública, os alunos do Colégio Pedro II e Colégio de Aplicação da UFRJ têm vantagem de poder tirar notas menores que as exigidas para os alunos do Colégio de Aplicação da UCB e do Colégio Realengo.

Basta que DECLAREM (este é tema do próximo capítulo) ter renda inferior a um salário mínimo familiar ‘per capita’.

Afinal de contas, estudantes de escolas públicas pertencem ao povo trabalhador oprimido e estudantes de escolas particulares são filhos da elite capitalista opressora: nada mais justo, não é mesmo?

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