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Deputado Chico Alencar divulga #FakeNews global em homenagem a aniversário de lei sexista

O deputado Chico Alencar – infeliz ganhador do primeiro voto da minha vida, quando eu era ainda um adolescente ignorante – aproveitou o aniversário de 12 anos da lei sexista que pune de forma diferente crimes idênticos com base apenas no sexo da vítima para encher a internet com mais um pouco de #FakeNews.

O político do Piçol afirmou, em seu perfil no Twitter, que há um caso de assassinato de mulher cometido por seu parceiro por hora no Brasil.

A coisa é tão bizonhamente mentirosa que, se este número fosse real, haveria mais assassinatos de mulheres cometidos por seus parceiros do que assassinatos TOTAIS de mulheres.

1 assassinato por hora dá cerca de 8760 assassinatos por ano.

Acontece que no ano de 2016 morreram 4657 mulheres assassinadas, das quais 533 foram classificadas como vítimas de feminicídio (e destas nem todas foram mortas pelo parceiro, já que feminicídio inclui mortes por qualquer parente, inclusive do sexo feminino).

Já em 2017 foram 4473 casos de homicídios (946 feminicídios, repetindo: todo caso de homem matando sua companheira é classificado como feminicídio, mas nem todo caso classificado como feminicídio é de homem matando sua companheira)

Portanto, o número de Chico é mais de 11 vezes mentiroso em relação aos dados de 2017. Pouca coisa!

A fonte é a Globo, seu burro!

Ao ser questionado com os dados oficiais de homicídio e “feminicídio” nos últimos dois anos, o deputado apresentou a GloboNews como fonte.

A matéria da GloboNews recomendada pelo nobre professor de história de fato diz que a cada hora acontece um caso de feminicídio no Brasil. A mentira é contada aproximadamente aos 2 minutos deste vídeo aqui: http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/t/videos/v/a-cada-hora-uma-mulher-e-assassinada-no-brasil/6927819/

Acontece que a matéria da GloboNews é #FakeNews, conforme já exposto pelos dados trazidos na parte anterior do texto.

GLOBO NEWS CHICO ALENCAR FAKE NEWS.png

A jornalista da GloboNews, responsável por cobrir uma operação policial, cometeu seguintes 3 errinhos inocentes e convenientes:

  1. Arredondou o tempo de intervalo de um assassinato de mulher a cada 1.95841716968 hora pra um homicídio contra mulher a cada 1 hora.
  2. Considerou toda morte de mulher como “feminicídio”
  3. Considerou todo “feminicídio” como crime cometido pelo parceiro do sexo masculino.

Iuzômi?

Por outro lado, Chico não falou nada sobre o número de mortes de homens causadas por suas parceiras. A repórter da Globo News também nada mencionou.

Apesar destes números não serem registrados sob uma categoria especial de crime (como “masculinicídio”), há indícios de que sua frequência seja semelhante à de assassinatos de mulheres cometidos pelos seus parceiros.

No mês de janeiro, apenas com uma coleta superficial feita através de notícias na internet, eu cataloguei 17 casos de homens mortos suas parceiras ou parentes (que seriam os casos de masculinicídio se nossa lei fosse igualitária).  Na lista eu considerei apenas os casos em que o crime havia sido cometido por uma mulher contra um homem (embora a lei de feminicídio não especifique o sexo do autor, apenas o da vítima)

Extrapolando (multiplicando por 12) daria 204  por ano (veja aqui: https://naomatouhoje.blog/2018/02/06/93/ ) Como minha coleta foi feita de forma amadora, é provável que o número real de “masculinicídios” anuais no Brasil seja muito maior que este.

Repetindo um detalhe importante, pra você não esquecer

Não há números oficiais de mulheres assassinadas por seus parceiros nem de homens assassinados por suas parceiras no Brasil!

O que há é números de “feminicídio” uma etiqueta penal com a qual se classifica todo caso de assassinato contra mulher cometido por qualquer membro da sua família ou com quem tenham ou tenham tido relacionamento amoroso (e eventualmente pessoas que não se classifiquem nesta categoria, mais ou menos ao gosto juiz).

A lésbica Janaína da Silva que morreu com mais de 20 golpes de faca aplicados pela namorada foi vítima de “feminicídio”, por exemplo. A lei do “feminicídio” não especifica o sexo do autor, apenas o da vítima.

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