Uncategorized

Por que nunca postei sobre o levantamento anual da Rede Trans?

Há meses venho atacando as conclusões de duas das quatro instituições que coletam informações específicas sobre mortes de homossexuais no Brasil e deixando duas outras mais ‘em paz’. Por que este meu preconceito?

O GRUPO GAY DA BAHIA se converteu numa espécie de mascote da página. Embora não seja meu foco central falar do GRUPO GAY DA BAHIA e de seus relatórios, mas sim de manipulações estatísticas e outros aspectos clássicos da retórica dos movimentos assim chamados de “defesa das minorias”.

A questão é que o grosseiro estudo anual sobre crimes homofóbicos do GGB me vale como um exemplo perfeito de quanto de manipulação tem nesse meio, do quanto ela é endossada por organismos públicos e midia e de como afeta um ideário social e as políticas públicas: a ONG classifica como mortes motivadas por homofobia casos tão aleatórios como mortes de heterossexual assassinado por homossexual, morte de heterossexual assassinado por heterossexual (EM LISBOA, PORTUGAL!), morte de homossexual infartado durante o sexo, morte de homem hétero ou bissexual infartado em caminhada no passeio público, morte de bissexual que injetou gel no pênis pra que ele ficasse mais grosso e sofreu embolia.

Acabei conhecendo quatro estudos, do qual um outro se destacou pela imensa semelhança com o estudo do GRUPO GAY DA BAHIA.

Sobre este tal estudo muito semelhante não posso falar no momento, por força de uma decisão judicial liminar que impediu que eu manifestasse qualquer menção a ele e as suas autoras nesta página.

Posso, entretanto, falar dos estudos da ANTRA e da REDE TRANS.

Duas ONGs direcionadas às pessoas que ‘performam’ o gênero oposto, ou seja: homens que gostam de se apresentar socialmente de uma forma caracteristicamente feminilizada por meio de vestimentas e (às vezes) cirurgias e tratamentos hormonais ou mulheres que – pelos mesmos meios – se apresentam masculinizadas.

Neste grupo temos travestis, transexuais, transformistas, andróginos e lésbicas masculinizadas. É destas pessoas que as duas ONGs acima se ocupam.

E por que pouco falo delas? Sobre a ANTRA já mencionei que dos dados que ela produz é que parte a falsa informação, amplamente divulgada, de que a expectativa de vida da população trans é de cerca de metade da expectativa de vida da população geral.

Não é. A história de que trans vivem menos que outras pessoas por conta da violência contra este grupo é uma mentira construída a partir de uma confusão com o significado de “expectativa de vida” e com seus aspectos estatísticos.

Já sobre a REDE TRANS eu me lembro de ter falado incidentalmente, uma única vez, num post sobre uma entrevista da Manuela D’Ávila?

Por que falo tanto do GRUPO GAY DA BAHIA e do grupo de pesquisa pelo qual estou sendo processado e estou liminarmente proibido de mencionar mas pouco falo dos outros dois?

A REDE TRANS e a ANTRA não mentem sobre a motivação ou circunstâncias das mortes que listam.

Embora a mentira sobre expectativa de vida média da população trans costume ser apresentada em associação com os dados da ANTRA (nem sei ao certo se é a ANTRA quem produz essa mentira ou se somente pegam os dados deles e mentem em cima), a ANTRA e a REDE TRANS não costumam apresentar as mortes em seus relatórios e peças de comunicação como tendo sido mortes provocadas por ódio homofóbico, por ódio conservador dos autores do disparo contra o transexual alvo dos tiros.

São apresentadas apenas com assassinatos cometidos contra transexuais no Brasil. E de fato são. A ANTRA ainda tem o problema de ser pouco criteriosa quanto às fontes que apresenta pra cada caso. Neste ponto a REDE TRANS faz um trabalho melhor.

Não significa que eu considere os estudos deles isentos de críticas.

A própria classificação e alarde do número de mortes dentro de um grupo específico tem a função de lançar os holofotes para este grupo, tratando as mortes dentro dele (talvez plenamente esperadas diante de um cenário de cerca de 60 mil assassinatos anuais no país) como algo digno de um olhar a parte, preferenciado, de maior relevância.

É fato também que a presença destes bancos de dados e o alarde sobre eles é alvo para todo o tipo de distorção possível. Nada impede que um órgão de comunicação pegue os dados da REDE TRANS sobre tantas centenas de mortes de transexuais e tasque uma manchete dizendo que “Tantas centenas de transexuais foram assassinadas vítimas de transfobia”.

Mas, uma vez que não vejo esta ONG e a ANTRA recorrentemente mentindo sobre a motivação destas mortes, como os dois outros grupos fazem. Como não os vejo mentindo deliberadamente sobre centenas de pessoas assassinadas POR HOMOFOBIA (ou alguns dos neologismos derivados disso) a partir dos seus números, prefiro os deixar em paz e atacar as eventuais menções aos seus dados que de fato apresentem leituras distorcidas e mentirosas, como as menções aos dados da ANTRA inferindo baixa expectativa de vida no grupo dos transexuais ou como as leituras distorcidas pela vice do vice do Lula em cima dos dados apresentados pela REDE TRANS.

PS.: Pesquisando nas páginas da REDE TRANS ou da ANTRA até encontra-se uma ou outra menção mais indireta ou esparsa sobre uma suposta motivação homofóbica para as mortes que listam, mas não da forma que o GGB faz.

Para saber por que digo que é mentira a história sobre expectativa de vida média dos transexuais ser de 35 anos, clique aqui

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s