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O GLOBO sobre mortes de transexuais no Brasil: jornalismo ou publicidade?

Está aberta a temporada de divulgação das estatísticas alarmistas sobre mortes de homossexuais no Brasil: a TRANSGENDER EUROPE, uma ONG sueca que no Brasil atua em parceria com a ONG sergipana REDE TRANS, acaba de divulgar seus números mundiais.

Em janeiro costumam sair os dados fraudulentos do GRUPO GAY DA BAHIA, em fevereiro saem os um pouco menos desleixados dados da ANTRA e em março, se o cronograma for mantido, a UFRJ divulga seus números.

Ainda existem novas ONGs entrando no mercado da produção de dados alarmistas, delas falo em breve.

Uma coisa de cada vez, falemos hoje dos dados da TRANSGENDER EUROPE e da REDE TRANS que motivaram uma matéria intitulada “Brasil segue no primeiro lugar do ranking de assassinatos de transexuais” no portal do jornal O GLOBO.

Destacarei informações que a publicitá… errr, digo, digo, jornalista Louise Queiroga se esqueceu de contar em sua propagan… err, digo, digo, matéria jornalística.

AS MORTES NOTICIADAS NA MATÉRIA FORAM MOTIVADAS POR TRANSFOBIA?

Jaqueline Romio, doutora em Demografia pela Universidade Estadual de Campinas entrevistada por Queiroga, afirma na matéria.

“— Grupos brasileiros de pesquisa fazem esse tipo de levantamento, o que é importante porque não temos dados oficiais das mulheres trans assassinadas, que configuram como a maior parte das vítimas transexuais, principalmente negras, mas também há homens trans que são assassinados por conta da transfobia. A partir do momento que os registros especifiquem as vítimas por identidade de gênero, número de mortes vai aumentar ”

Esta é a principal ressalva que você precisa ter em mente quanto à matéria do O GLOBO: ao contrário do que a doutora Jaqueline indica, estas pessoas não foram assassinados por conta de transfobia.

A REDE TRANS, assim como o GRUPO GAY DA BAHIA, lista mortes aleatórias de homossexuais (no caso da REDE TRANS apenas de homens feminilizados ou mulheres masculinizadas).

Não são pessoas que morreram por serem homossexuais: entre as mortes há casos de envolvimento com tráfico, disputa por ponto de prostituição ou briga entre namorados e até casos onde não se sabe se houve assassinato. Não há menção alguma a este importantíssimo detalhe na matéria de Queiroga

A maioria dos casos listados pela REDE TRANS (assim como no GRUPO GAY DA BAHIA) corresponde a crimes não elucidados, onde não seria honesto afirmar que a motivação foi homofobia. Queiroga também não usa uma única linha de seu texto para esta informação.

Alguns exemplos de casos listados pela REDE TRANS/TRANSGENDER EUROPE no período selecionado  (outubro de 17 até setembro de 18), se você quiser ver todos os casos, deixarei o link no final do post:

Paola Blatyon: segundo o próprio link informado como fonte pela REDE TRANS “A motivação para o crime é desconhecida pela polícia.” Casos como este compõe a grande maior parte dos dados destas ONGs. Um homossexual é encontrado morto a tiros, pode ter sido inúmeros motivos os que levaram ao ato criminoso, mas as ONGs classificam como homofobia e a grande imprensa divulga acriticamente.

Bruna Ferrari: Segundo a própria fonte apresentada pela REDE TRANS: “De acordo com a Polícia Civil, a principal linha de investigação atribui a morte ao consumo de drogas da vítima, que era dependente química e frequentemente era vista consumindo drogas próximo do local onde foi assassinada.”

Lalesca d’CaporyEmbora não liste casos de transexual morto de overdose na Itália ou casos de lésbica acidentalmente atropelada pelo carro da família como fazem a UFRJ e o GRUPO GAY DA BAHIA, a REDE TRANS inclui na sua lista de assassinatos casos de morte em que não se sabe exatamente se foram assassinatos.

Para a polícia, Lalesca morreu afogada, mas a família percebeu uma marca no pescoço dela e deduziu que pudesse ter acontecido um esfaqueamento. Procurei no noticiário informações mais atualizadas do que esta, que dessem conta do resultado do laudo cadavérico, mas não achei.

LohaneDe acordo com a fonte apresentada pela REDE TRANS “A vítima identificada com Lohane mantinha um relacionamento homoafetivo com o acusado. De acordo com informações preliminares fornecidas por pessoas próximas, o casal teria tido uma discussão motivada por ciúmes, momento em que o homem teria pego uma faca e desferido mais de um golpe na região da garganta de Lohane.”

Gaby ScheiferFoi alvejado a tiros e ao tentar fugir acabou atropelada. A polícia indiciou e prendeu um outro transexual como principal suspeito do crime. Ou seja: um crime não elucidado, mas cuja suspeita oficial recai sobre outro transexual.

Ou seja: estamos falando de crimes passionais, disputas entre travestis, mortes por envolvimento com drogas e casos não elucidados, que são tratados a priori pelo ativismo e pela grande imprensa como sendo mortes motivadas por homofobia.

O BRASIL É O PAÍS EM QUE MAIS SE MATA TRANSEXUAIS?

Deixemos de lado a motivação, já sabemos que – a despeito da propaganda feita por O GLOBO – estas mortes listada pela TGEU e pela REDE TRANS não são casos que possam honestamente ser atribuídos à motivação transfóbica, homofóbica, LGBTfóbica ou homotransfóbica.

Mas um detalhe particular desta pesquisa é o fato de que ela apresenta uma comparação entre diversos países e aponta o Brasil como recordista. Como destaca o título da matéria redigida por Queiroga, o Brasil segue em primeiro lugar no número de travestis e lésbicas masculinizadas assassinados.

Ora! O Brasil é o recordista em números absolutos de assassinatos do Mundo inteiro. Alguns poucos países têm taxa de homicídio maiores que a nossa, mas são países pequenos (Nicarágua, por exemplo).

Não há nenhum dado especial em dizer que o país é o com mais assassinatos de transexuais (a não ser que você ache que transexuais são pessoas mais importantes, cuja vida mereça uma preservação maior que a dos demais seres humanos). Se fizermos uma comparação entre países que mais matam pessoas com 6 dedos em cada mão, ou pessoas com 1,63 metros de altura, ou pessoas carecas e barrigudas, o Brasil também se sagrará campeão.

Nesta zona pintada de vermelho há mais assassinatos de SERES HUMANOS que em toda a zona pintada em azul. A zona pintada em azul inclui três países com população superior à nossa.

Além do mais há algumas questões metodológicas a serem consideradas: todas as ONGs que colaboram com o trabalho da TGEU usam clipping de notícias como método.

Basicamente eles rastreiam notícias sobre mortes de travestis e lésbicas masculinizadas em blogs e portais na internet e incluem nos dados. Isso significa que se uma morte não virar notícia em nenhum jornal ou se o jornalista não mencionar o fato de que a vítima era travesti ou lésbica masculinizada a morte geralmente não entra no banco de dados da TGEU.

A probabilidade de que um assassinato vire notícia em algum veículo de imprensa ou de que o repórter destaque a sexualidade da vítima variam em função de fatores culturais e demográficos. Não é um método fino de coleta de dados para comparação. A TGEU diz que 167 mortes aconteceram no Brasil.

QUEM FINANCIA O ESTUDO DIVULGADO NA PEÇA PUBLICITÁRIA DE O GLOBO?

Não é precisamente uma surpresa encontrar os símbolos da Open Society (fundação de propriedade do magnata húngaro George Soros) e da Fundação Heinrich Böll entre os patrocinadores da Transgender Europe.

patrocinio

Além destes, são financiadores do trabalho a União Europeia e o Reino dos Países Baixos, entre outros.

REFERÊNCIAS

Site da ONG brasileira REDE TRANS (onde você pode conferir todas as 167 mortes de transexuais que estão sendo divulgadas como se fossem casos de transfobia no Brasil ocorridos no último ano): http://redetransbrasil.org.br/category/assassinatos/

Site da ONG Sueca TRANSGENDER EUROPE: https://tgeu.org

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