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‘Estudiosa’ da ‘pesquisa’ LESBOCÍDIO (UFRJ) publica novo artigo ‘filosófico’: leia um trechinho

A três vezes pós-doutora Maria Clara Dias, professora de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenadora da pesquisa que trata morte de assaltante lésbica baleada enquanto dirigia carro roubado e trocava tiros com a polícia como se fosse caso de “morte por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica” publicou novo artigo filosófico.
 
O paper saiu na revista acadêmica “Revista Direito e Práxis” publicada pela UERJ e foi intitulado “A perspectiva dos funcionamentos: um olhar ecofeminista decolonial”
 
Deixo aqui um trechinho e o link para quem desejar ler todo o estudo:
 
UM PARADIGMA ECOFEMINISTA DECOLONIAL: AGREGANDO FONTES DE OPRESSÃO

Ao focar em indivíduos existentes, mais especificamente, nos funcionamentos e demandas próprias de cada indivíduo, a Perspectiva dos Funcionamentos não pode pressentir de uma investigação empírica acerca das demandas geradas pelos diversos grupos e/ou indivíduos e do ambiente sociocultural, do qual tal afloram. Desta forma, a PdF endossa a hermenêutica crítica realizada pelo feminismo decolonial e pelo ecofeminismo. Ambas perspectivas, embora nem sempre conciliáveis, buscam identificar, diagnosticar e, finalmente, suplantar as diversas formas de opressão. O ecofeminismo 13 , pautado pela relação entre o feminino e a natureza, dirigi sua crítica ao paradigma androcêtrico e especista, que viola a natureza, os animais não-humanos, a mulher e/ou uma forma de existência de matriz não-falocêntrica. O feminismo decolonial 14 , por sua vez, denuncia não apenas o falocentrismo, mas a matriz de saber colonial que subjuga racial, cultural e socioeconomicamente os povos historicamente colonizados.

A dominação e a opressão são formas de violência que impedem o florescimento de qualquer indivíduo sobre o seu efeito. Qualquer que sejam suas causas históricas ou estruturais, elas são moralmente condenáveis. Neste sentido, a crítica a uma forma de opressão, deve igualmente conter o subsídio para a condenação de todas as demais. Sob o ponto de vista da moralidade e da justiça, todas as formas de opressão são condenáveis e devem ser combatidas, crítica e moralmente.

A PdF endossa a crítica a todos os sistemas de opressão que impedem o florescimento de diferentes formas de existência. Endossa, portanto, a crítica ao patriarcado, à heteronormatividade, ao imperialismo, ao capitalismo, ao racismo e ao especismo. Neste sentido, a PdF é compatível com uma perspectiva feminista decolonial que reconheça, para além das opressões de sexo/gênero e do imperialismo, seja ele racial, cultural, religioso ou epistêmico, a opressão especista. Do mesmo modo, poderá será também compatível com uma perspectiva ecofeminista que reconheça, para além das opressões do patriarcado e do especismo, as opressões raciais, socioculturais, religiosas e epistêmicas impostas pela forma de dominação imperialista. Agregando e repudiando as diversas formas de opressão, a PdF assume o olhar de uma perspectiva ecofeminista decolonial.

Ao incluirmos, como concernidos morais, indivíduos pouco ou nada racionais, assumimos, enquanto agentes morais, o compromisso de respeitar suas demandas e promover o florescimento de seus funcionamentos básicos. Para isso, precisamos não apenas romper com uma epistemologia colonial hegemônica e especista, mas também exercitar nossa razão imaginativa e promover novas formas de escuta e identificação de demandas.

Se interessou pelo paper? Leia tudo em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2179-89662018000402503

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