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O debate entre Marta Iglesias Julios e Maria de Laó (ou: como passar pela timeline de gente desconhecida me deu um monte de material pra estudar )

Teresa Giménez Barbat, uma eurodeputada espanhola (isto é: uma representante da Espanha no Parlamento Europeu)  escreveu um artigo falando sobre o modo enviesado e anticientífico que o Parlamento Europeu tem tratado a questão da violência entre parceiros íntimos. Você pode ler o artigo clicando aqui.

Tereza começa o texto falando sobre uma indagação que havia feito no Parlamento sobre a existência de uma postura discriminatória contra homens nos programas de combate à violência doméstica/entre parceiros íntimos.

Comenta a resposta dada pela responsável pela pasta de “Igualdade” de Gênero, que confirmou o viés (ou seja: que as ações do PE são voltadas apenas para as violências em que as mulheres são vítimas) e “justificou” sua existência num suposto predomínio das violências entre parceiros íntimos contra mulheres e em uma insignificância estatística das violências familiares contra homens.

A eurodeputada aponta que isto não corresponde ao escrutínio científico mais apurado. Argumenta sobre as diferenças de metodologia aplicadas em estudos sobre violência entre parceiros íntimos, defendendo (como já defendi em “Quem a homotransfobia não matou hoje?”) que estudos baseados em estatísticas de comparecimento a delegacias e hospitais são provavelmente enviesados pela diferença de comportamento entre os sexos na busca por ajuda: homens tendem a só comparecer a um hospital ou delegacia para denunciar agressão se tiverem sofrido injúrias graves (tiros, facadas…); nunca para dizerem que levaram tapa na cara ou soco no nariz.

Neste sentido, Tereza toma por mais confiáveis (e eu também) os estudos baseados em questionários padronizados de vitimização e perpetração aplicados a indivíduos de ambos os sexos.

Do artigo de Tereza Barbat ao El Mundo Desde os anos setenta do século passado, estudos e metanálises se acumularam (estudos estudos) que mostram que na esfera doméstica existem vítimas do sexo masculino e agressoras do sexo feminino. Esses trabalhos são baseados em pesquisas confidenciais e anônimas aplicadas por pesquisadores a diferentes grupos da população, incluindo estudantes, pacientes em serviços de saúde e em comunidades. Elas são realizados na tentativa de aliviar os vieses dos dados sobre abusos provenientes exclusivamente de registros policiais e hospitalares, que, segundo os especialistas, tendem a subestimar a vitimização masculina.

A neurocientista Marta Iglesias Julio (a menina estudiosa da foto, cujas ideias sobre feminismo e igualdade de gênero são bem parecidas com as que esta página defende), cuja “pesquisa é focada em como a evolução molda o cérebro e o comportamento em contextos competitivos, como seleção de parceiros e agressividade”, compartilhou o artigo de Barbat, ensejando a seguinte resposta de sua seguidora de nome Maria de Laó, que escreve assim:

Maria de Laó Eu li este e outros artigos que têm sido publicados ultimamente e ainda não consigo entender qual é o objetivo. Eu acho que existe uma clara confusão entre violência baseada em gênero e violência doméstica, mas também há declarações totalmente desprovidas de base científica. É falso dizer que a violência seja simétrica, os dados na Espanha dizem que entre as queixas de violência doméstica apenas cerca de 25% é exercida por mulheres (cerca de 1300 de um total de quase 8000). Por outro lado, temos mais de 32.000 casos contrastados (falo apenas da Espanha) de violência de gênero. À luz dos dados, acho que a razão pela qual há um tratamento especial para a violência de gênero é evidente. Este artigo é absolutamente enganador e tendencioso … Nenhuma das declarações é apoiada por dados!

A este comentário, Marta Iglesias providencia 26 respostas, que se seguem:

Marta Iglesias Julios Maria, nenhum dos jornalistas dos outros artigos foi ao evento. Não sei por que você diz que as afirmações não são suportadas pelos dados, quando Soares fez uma revisão de quase 150 artigos. Artigos que falam sobre IPV, violência por parceiro íntimo. E eu não sei porque você acha que confundimos violência de gênero com violência doméstica. Quando precisamente os dados que usamos são de violência doméstica. Uma vez que os estudos indicam que os crimes efetivamente de gênero, os crime de ódio, são minoria. Deixo aqui vários estudos:

Marta Iglesias Julios Violent Betrayal: Partner Abuse in Lesbian Relationships https://books.google.es/books?hl=es&lr&id=AaklCgAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT5&dq=Renzetti%2C%20C.%20M.%20(1992).%20Violent%20Betrayal%3A%20Partner%20Abuse%20in%20Lesbian%20Relationships.%20Thousand%20Oaks%2C%20CA%3A%20Sage.&ots=cXgdRVVp9L&sig=D5_lk_oPOZv9Tm8OXjG4RCgRcw0&fbclid=IwAR36r7b96GTZsAfpZC_gEHmVoNkGXG_FHsIG41ejAETlqZofSwMlJ5UMYrY#v=onepage&q&f=false

Marta Iglesias Julios Intimate terrorism by women towards men: does it exist? https://www.emeraldinsight.com/doi/abs/10.5042/jacpr.2010.0335?fbclid=IwAR01RTJHr0T5MxEMcuJXpWHuuVk9uaFU7NsyqHMVOxjCnaDbua91LJHm03w&

Marta Iglesias Julios Homicidio de pareja íntima. La salud mental de los homicidas de pareja. https://evolucionyneurociencias.blogspot.com/2017/01/homicidio-de-pareja-intima-la-salud.html?fbclid=IwAR0ks13aJPJTHBpBwL9VbLXntbs0438qKlEcgMm7xyH4Z0nqpxxdSUKK9a8

Marta Iglesias Julios Homicidio de Pareja Intima. Homicidio seguido de suicidio. https://evolucionyneurociencias.blogspot.com/2017/01/homicidio-de-pareja-intima-homicidio.html?fbclid=IwAR0qaEXlyy6a1mOeoviUevLjxaEx2XO924zoYSe4usmi1jw5NG6CnkxuGYE

Marta Iglesias Julios Homicidio de pareja íntima. Implicaciones teóricas y prácticas  https://evolucionyneurociencias.blogspot.com/2017/02/homicidio-de-pareja-intima.html?fbclid=IwAR09V1aTVuSbyLVNqNOHooB7SxY2rxPaZCT8FHX5PHKU3aL87wBxrx4ZEYo

Marta Iglesias Julios Gender and types of intimate partner violence: A response to an anti-feminist literature review https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1359178911000589?fbclid=IwAR2vt3Eac_oQY6hwpOOkaKmPr1gAv8TOnVJ1DV42PpYZhtldA0QovHnA6ds

Marta Iglesias Julios Sex differences in aggression between heterosexual partners: A meta-analytic review. http://psycnet.apa.org/record/2000-15524-001?fbclid=IwAR0-REDgq0LDf7Wb_dyugj4wYFO8FmKROgO0K_Ch8ea0mInbIf8Ynwvw320

Marta Iglesias Julios The Prevalence of Sexual Assault Against People Who Identify as Gay, Lesbian, or Bisexual in the United States: A Systematic Review https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1524838010390707?fbclid=IwAR1ef0ihFUfwO02_zf_MoFNOFaJ31J4pugmf_Rz9_M9Tcs8dT2NcmOf6Ikg

Marta Iglesias Julios The Prevalence of Sexual Assault Against People Who Identify as Gay, Lesbian, or Bisexual in the United States: A Systematic Review https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1524838010390707?fbclid=IwAR1ef0ihFUfwO02_zf_MoFNOFaJ31J4pugmf_Rz9_M9Tcs8dT2NcmOf6Ikg

Marta Iglesias Julios DIFFERENTIATION AMONG TYPES OF INTIMATE PARTNER VIOLENCE: RESEARCH UPDATE AND IMPLICATIONS FOR INTERVENTIONS https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1744-1617.2008.00215.x?fbclid=IwAR0-REDgq0LDf7Wb_dyugj4wYFO8FmKROgO0K_Ch8ea0mInbIf8Ynwvw320&

Marta Iglesias Julios ABOUT PASK, THE PARTNER ABUSE
STATE OF KNOWLEDGE PROJECT https://domesticviolenceresearch.org/?fbclid=IwAR1e7hwAWYEOFo4NkkORyfS-pTaW-xa4t058ehOjvKG4TdHRfHg53jlsjw0

Marta Iglesias Julios Há muito mais: melhor te deixar prints do estudo de Soares : 

 

 

 

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