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Erick Araújo: o cotista branco preocupado com a falta de rostos negros na USP

O cotista Erick Araújo parece estar destinado a ser um dos grandes nomes do ativismo de minorias do futuro, um político do PSOL, um líder da UNE, ou algo do tipo.

Quem joga seu nome ao lado de ‘cotista negro’ percebe que o rapaz se tornou uma espécie de símbolo da conquista dos jovens “negros e periféricos” ao seu “merecido lugar de destaque na sociedade” e ele está fazendo direitinho o trabalho. Se tornou repórter da É Nois: uma ONG muito bem patrocinada voltada ao ensino de comunicação para jovens “negros e periféricos”. Bateu boca com Ricardo Lewandowski em sala de aula em uma querela sobre alojamento estudantil e auxílio-moradia e virou personagem central de matéria de revista importante por isto.

Erick acaba também de publicar um artigo para o Intercept BR (portal multinacional de extrema-esquerda “progressista”) reclamando da falta de negros nos escritórios de advocacia. Irei desconsiderar os argumentos do jovem oprimido sobre o porquê de existirem poucos negros e o que fgazer sobre, mas um detalhe é literalmente visível: o aluno cotista de direito da USP preocupado com a baixa quantidade de negros nos escritórios de direito não é negro, nem pardo.

Pelo menos não num mundo em que ser branco, amarelo, negro ou pardo seja definido pelos traços étnicos e em que Isabelli Fontana seja branca, eu seja pardo e o deputado Helio Negão seja negro.

Para que Erick seja pardo ou negro é preciso adotarmos um sistema que permita que todo e qualquer indíviduo defina por si próprio a sua etnia (ou sexo, ou altura, ou peso…). Neste mundo, Erick pode perfeitamente ser uma mulher negra anã e obesa.

Algumas pessoas fingem que acreditam nesta ideia de que homens possam ser mulheres simplesmente porque se identificam como tal, ou de que loiros de olhos azuis podem ser negros porque e auto-declaram assim, mas o conceito da auto-identificação/declaração é mais fajuto que uma moeda de 3 reais e 45 centavos.

E o próprio Erick mostra isso em seu arremedo de reclamação sobre a ausência de negros nos escritórios de advocacia de São Paulo, senão vejamos:

Erick escreve uma fanfi… digo, Erick escreve um relato jornalístico que começa assim: “Num prédio estilo neoclássico forrado de mármore na imponente avenida Faria Lima, em São Paulo, percebi rapidamente os padrões sociais do mundo jurídico. Entre lanches e recados tipo “veja como somos legais, temos happy hour às sextas”, um rosto negro em tom questionador finalmente fez a pergunta que todos queríamos fazer: “por que não tem negros trabalhando aqui?”

E nós, que pela primeira vez ocupamos em números expressivos a mesma faculdade que há 167 anos impediu o advogado negro Luiz Gama de obter o seu diploma, recebemos como resposta um rosto branco assustado e a fatídica resposta: “talvez seja porque os negros não tenham interesse”.

Observe: Erick não menciona ter perguntado ao portador do rosto negro questionador se ele se considerava branco ou ameríndio, nem perguntou ao portador do rosto branco assustando como ele se auto-declarava. Talvez o homem que Erick identificou como branco também seja um cotista negro formado na UERJ, universidade que desde os idos de 2002 recruta muitos brancos auto-declarados negros em seu sistema de cotas racistas. Talvez o vestibular FUVEST de acesso à USP tivesse considerado todos os advogados ali presentes como negros, se houvesse cotas racistas em suas épocas e se assim eles tivessem se auto-declarado.

Como Erick poderia saber – só chegando num escritório e olhando ao redor – quantos “negros” trabalhariam ali?

Por acaso ele teria passado um questionário padronizado aos presentes? Ou ele só olhou para a cor da pele, o tipo de cabelo e os traços faciais como qualquer pessoa honesta e  saudável intelectualmente faria?

OBS 1 : Este texto não é uma denúncia quanto a ilegalidade/imoralidade em uma eventual auto-declaração. Eu nem sei ao certo se ele entrou pela cota social (para pobres estudantes de escola pública) ou racista (para pardos e negros), embora o texto do artigo indique fortemente a segunda opção.

Na verdade eu até torço para que cada vez mais brancos se declarem negros, mais homens se declarem mulheres e mais héteros se declarem transexuais, vejo como uma forma de desobediência civil diante desta porra-louquice generalizada.

O destaque aqui é para a hipocrisia no argumento de Erick, que se baseia em critérios objetivos de identificação étnica para defender um sistema de discriminação racista baseado em critérios subjetivos de identificação racial (critérios subjetivos estes que aparentemente o beneficiaram).

OBS 2 : Este não é uma defesa de tribunais raciais como os implantados na UFRGS e UnB. Como já disse em outras postagens, eu sou fortemente contrário ao sistema de cotas racistas seja ele baseado em auto-declaração ou em tribunal racial.

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