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MERO LATROCÍNIO! Baterista do Paralamas publica tuíte mais estúpido do ano de 2019

A internet tem mais de 11 meses para tentar superar a estupidez de um tuíte publicado pelo percursionista e tuiteiro João Barone. Em dezembro de 2019 descobriremos que a internet terá falhado miseravelmente.

O músico publicou há algumas horas que “Cara, violência contra mulher é um crime covarde, não se pode reduzi-lo ao mesmo patamar de um mero latrocínio. Essa sua lógica só explica o nosso atraso institucional. Triste muita gente pensar assim como você… ”

Mero latrocínio, mero latrocínio, mero fucking puta que o pariu latrocínio!

De acordo com o músico, um ato de violência contra mulher (ele não especificou homicídio, mas vamos aplicar um pouco de caridade interpretativa, embora ele não mereça) é algo muiiiiiiiiiito menos grave do que o mero (mero, puta que pariu, ele disse MERO) crime de matar alguém porque demorou a entregar um celular ou tentou fugir de um assalto ou não conseguiu desafrouxar a fivela do cinto de segurança a tempo de não deixar a vítima da sociedade irritada.

O sujeito ainda tentou justificar, mas ficou imensamente pior.

Ele explicou (usando as palavras de um “especialista”), por exemplo, que o latrocínio é menos grave porque a intenção inicial é só roubar e que matar é um acidente de percurso. Não, é sério! Leia com seus próprios olhos o trecho que ele retuitou para se defender:

“Se não sabem,Direito Penal em qq país gira em torno da INTENÇÂO. Latrocínio ocorre com intenção do roubo(subtração de PATRIMONIO) e acaba ocorrendo morte por circunstancias durante o roubo.Já no feminicídio a intenção é MATAR,EXECUÇÃO por sentimento de POSSE apenas por ser MULHER”

Ahhh, sim, então matar alguém por ciúme sexual é muiiiiiiiiito mais grave do que matar alguém por sentimento de posse sobre o celular de outro alguém. Mas apenas se o ciúme for de um homem contra uma mulher, né?

Porque casos de assassinatos de mulheres por suas namoradas ou de homens por suas esposas POR SENTIMENTO DE POSSE acontecem aos montes sem que nunca nenhum imbecil tenha escrito que “violência contra homens é muito mais grave do que latrocínio”.

Veja, João Barone, alguns homens mortos pelas suas companheiras por ciúmes.

Obviamente ao dizer que crimes de homicídio cometidos por sentimento de posse (ciúmes, vingança por traição) são mais graves que latrocínios (não são) o sujeito não tem em mente casos como o de Bruno Almeida, morto pela mulher ciumenta com uma facada no peito, nem o de Ednei Moura de Oliveira Rocha que foi morto pela esposa após ela identificar nele uma mancha que julgou ter sido produzida por alguma amante, nem o de Rodinilson Padilha, nem o deste homem não identificado.

Para estes o percursionista terá mil e uma desculpas na ponta da língua, provavelmente falará que são casos raros, mesmo que estimativas da Organização Mundial da Saúde apontem para a existência de o dobro de casos de homicídios contra homens cometidos por companheiras amorosas no Brasil que o inverso.

Sim, se aplicarmos as estimativas produzidas em um estudo patrocinado pela OMS e conduzido pela Dra Heidi Stockl teremos os números estimados de quase 4 mil homens e quase 2 mil mulheres mortos por ano no Brasil, vítimas de crime passional: assassinato cometido ou encomendado por parceiro ou ex-parceiro íntimo.

O nojo e o alívio

Se postagens como a de Barone são dignas de nojo, alguns comentários femininos me fazem lembrar do porquê de eu NUNCA associar feminismo às mulheres.

O feminismo é uma ideologia de ódio que nem é restrita às mulheres (o post de Barone prova) nem é algo de que todas as mulheres mereçam culpa (os tuítes femininos abaixo, feitos em resposta ao tuíte imbecil do músico, reforçam).

renata
Claro que nem a Renata nem ninguém minimamente honesto enxergou a lógica do post de Barone, mas Renata avançou no argumento, atacando a visão de “igualdade” progressista pela qual “uns são sempre mais iguais que os outros”.

 

ana
O feminista Barone tentou posar de incompreendido e chamou a Ana De Biasi de analfabeta, mas não colou.
Karinne.png
A Karinne também se indignou com a lacração do baixista e chamou a atenção para o desprezo que o mesmo demonstrou com a vida dos que se foram vitimados por crime tão bárbaro.
aline
A Aline lembrou que os homens são as maiores vítimas de homicídio e que centrar a questão sobre os homicídios cometidos contra as mulheres é sexismo. Obrigado, Aline!

Eu fiz questão de printar estes comentários da Karinne, da Marta, da Flavia, da Ana, da Renata, da Aline…  para lembrar que não estamos em uma guerra entre homens e mulheres, entre negros e brancos, entre LGBTs e héteros.

A guerra é entre quem nos quer dividir com base em pacotes de categorias (como o Barone, a quem eu vou me poupar de chamar do que ele merece ser chamado) e gente que prefere que todos sejamos tratados como seres humanos.

Obrigado, meninas! Você me salvaram do Barone, hoje!

 

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