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Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa eu vou?

“Negro não é fantasia”, diz a mulata irritadíssima na postagem em que “denuncia” o “crime” de uma maquiadora loira ter feito um tutorial ensinando a compor uma belíssima fantasia de nega maluca.

A nega chata autora da denúncia ainda não aprendeu a definição de “fantasia”.

Está certa, ela: negro não é fantasia, carro não é fantasia, Tinder não é fantasia, cachorro não é fantasia, Emília não é fantasia, banana não é fantasia, loira não é fantasia, prostituta não é fantasia, extra-terrestre não é fantasia, trem a vapor não é fantasia… mas fantasia de negro é fantasia, fantasia de Tinder é fantasia, fantasia de cachorro é fantasia…

Por definição, fantasiar-se significa precisamente se vestir imitando algo que não é fantasia.

Eduardo Affonso Preto Velho
Um preto velho capturado por Eduardo Affonso, que também roubou a diversão das negas malucas da foto anterior

Os ataques virtuais à página de um estúdio paulista de maquiagem inauguraram (pelo menos pra mim) a temporada anual de mimimis e problematizações carnavalescas sobre racismo, homofobia, machismo e outras pataquadas mais.

Todo ano aquela turminha gente boa salvadora do mundo que vota no Freixo, mora no Leblon e faz sociologia na UFRJ (ou similares) emplaca umas histerias novas no meio de um monte de histerias velhas.

Algumas destas surtadas vitimistas sobre os elementos da cultura carnavalesca brasileira se popularizam, outras ficam restritas a algumas reclamações histéricas em páginas de coletivos universitários.

Há três anos um casal interacial se fantasiou de Aladdin + Jasmine e colocou o menino negro (filho adotivo da moça mulata com o moço branco) vestido de Abu! Ahhh, a moçada racista e histérica do ativismo “negro” não gostou nem um pouco e deu piti nas redes sociais! Foi uma barulheira dos infernos no Facebook, e imagine na vida da pobre família.

Aí teve o ano em que “proibiram” a cabeleira do Zezé e a Maria sapatão porque meia dúzia de pessoas sensíveis poderiam eventualmente ficar sensibilizadinhas. Ah, tadinhas delas!

Tem algumas polêmicas que vão e vêm todos os anos. As problematizações sobre as fantasias de preto velho, piranha, nega maluca, índio são tão repetitivas que até cansam.

Já as fantasias, em si, não cansam nunca: apesar de todo o choro dos psolistas, dos descunstruidinhos da Vila Madalena, dos editores do BuzzFéde, da Catraca Lixo e do Huff Poo, lá estão elas. Ano após ano. Tradicionalíssimas, mas sem nunca perder a originalidade!

Infelizmente, ainda que não eficazes num plano geral, os ataques histéricos costumam causar prejuízos individuais. Pessoas que têm sua reputação manchada, que passam por momentos de ansiedade e depressão desnecessários, apenas por terem levado o filhinho pra passear no coreto e dado o azar de serem notados por um lacrador invejoso com uma câmera na mão.

No caso em tela, a página atacada deletou o trabalho lindo e cuidadoso feito pela maquiadora Bruna Martorelli. Provavelmente Bruna temeu pelos eventuais prejuízos à empresa que poderiam ser causados pela gritaria promovida pelos ativistas.

Uma grande pena. O trabalho de maquiagem do estúdio de Bruna é fantástico, deem uma olhada. O tutorial que ela publicou ia ajudar muita gente a se fantasiar bonita pra folia de 2019. E a histeria da meia dúzia de ativistas “negros”, ao meu ver, poderia até ser revertida em publicidade involuntária a favor da empresa.

Cada um sabe onde o calo aperta, os riscos que corre: essa galera ativista costuma realmente ser perigosa e violenta.

Mas se o meu conselho de quem nem curte muito carnaval valer alguma coisa: continue fantasiando seu macaquinho de estimação de Abu, ele vai adorar a fantasia deste ano pro resto da vida dele. Continue vestindo sua melhor nega maluca (e no dia seguinte encarne o travesti mais escrachado nas suas vestes de piranha ). Continue berrando a plenos pulmões que o Zezé é viado e que a Maria é sapatão, sapatão, sapatão: a maioria dos viados e das sapatões vão cantar junto e vão adorar se divertir no bloquinho junto contigo.

O mimimi vem de uma minoria histérica, rancorosa, organizada e barulhenta. E eles vencem quando você pede desculpas e promete que não vai fazer de novo, mesmo sem ter nada do que se desculpar.

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