“Diretora da ‘Vogue Brasil’ é criticada por festa considerada racista”

Esta foi a chamada de uma matéria do Estadão sobre uma festa temática patrocinada pela revista Vogue nesta semana.

Perceba que uma das estratégias discursivas mais recorrentes no jornalismo sobre polemiquinhas progressistinhas é impessoalizar as sentenças.

Quem criticou a diretora da Vogue? Quem considerou a festa racista? Dizer “é criticada” e “é considerada” dá à indignação uma amplitude que ela não possui de fato.

Os tais que criticaram a dona da festa e consideraram a festa racista foram os mesmos de sempre: Marcelo Freixo, Stephanie Ribeiro, Fefito

A lacrosfera ficou mesmo em polvorosa com o fato de que a revista promoveu uma festa na Bahia e contratou – CONTRATOU – mulheres negras para trabalharem na equipe de receptivo.

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Muitos dos lacradores que sinalizaram virtude nas redes sociais chegaram a se dar ao trabalho de colocar smiles sobre os rostos das baianas (com a mesma função daquelas tarjas que se colocava nos olhos de adolescentes infratores nos jornais antigos, para proteger suas identidades).

Tratam – desta maneira – as trabalhadoras negras como se fossem sujeitos incapazes e que estivessem fazendo algo vexatório.

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Será que os mesmos lacradores também considerariam racistas as muitas festas que celebram o período de tomada imigratória do Sul do Brasil?

Naquelas festas algumas pessoas costumam ser pagas para se vestir com roupas típicas dos refugiados italianos, holandeses e alemães em eventos organizados ao longo de toda a região.

Os fundadores de muitas das cidades ao Sul do país eram pessoas pobres que vieram para cá fugidas de uma das duas grandes guerras mundiais ou da pobreza que assolou a Europa no Entre-Guerras.

Será que o Fefito (lacrador que vive repetindo a mentira de que o Brasil é o país que mais mata LGBTs por motivo de ódio no mundo em seu programa de rádio), será que o Fefito considera vergonhoso ou discriminatório quando mulheres gaúchas são pagas para se vestirem de camponesas italianas e representarem a diáspora europeia em eventos?

Será que ele considera que se está zombando da dor dos ancestrais italianos, germânicos e neerlandeses nestes eventos?

Será que alguém colocaria smiles pra proteger a identidade das moças abaixo? Será que algum lacrador consideraria desonrosas as vestimentas que elas estão usando? Vestimentas que representam as tradições dos seus ancestrais e do estado em que vivem?

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A galerinha que fecha com o Freixo, histérica e cheia de virtudes a exibir, considera que as mulheres negras (que se candidataram, foram contratadas e receberam cachê para representarem uma personagem folclórica associada à história de seu país, de seu estado e de sua etnia) são seres incapazes e que só por isso se submeteram a uma atividade que ela – a esquerda histérica – julgou vexatória.

Tenho certeza de que Freixo, Fefito, Stephanie e toda a grande corja de lacradores acreditam que as loiras de olhos azuis de Caxias do Sul e Canela são indivíduos autônomos, que podem escolher livremente representar refugiadas em festas no RS.

Belos anti-racistas! Deviam ganhar um prêmio!

Um comentário sobre “Lacrosfera em polvorosa contra baianas negras na festa da Vogue

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