Não há dúvida de que ocorre violência praticada por parceiros íntimos entre as lésbicas. As evidências indicam que pode ser tão prevalente quanto entre os heterossexuais e que uma gama completa de tipos de violência ocorre, incluindo abuso verbal, psicológico, físico e sexual.
Carolyn M. West (2002) Lesbian Intimate Partner Violence,
Journal of Lesbian Studies, 6:1, 121-127, DOI: 10.1300/J155v06n01_11

A propaganda sobre violência entre parceiros íntimos é focada na ideia de que homens são os agressores, mulheres são as vítimas. Este é o mantra ideológico repetido por ativistas e instituições feministas/pró-mulher, bem como por órgãos de governo e grande imprensa. Mas será verdade?

Em sentido oposto ao da propaganda, a UNIFESP publicou dois estudos sobre prevalência nacional de violência entre parceiros amorosos nos últimos 10 anos: os resultados de ambas as investigações apontaram homens, e  não mulheres, como as maiores vítimas de agressões físicas em relacionamentos amorosos. E mulheres, e não homens, como as maiores agressoras, para a maior parte dos tipos de violência física.

A UNIFESP não está sozinha: pesquisas baseadas em questionários padronizados aplicados a homens e mulheres ao redor do mundo têm apresentado resultados que mostram semelhança percentual de vitimização e perpetração para ambos os sexos.

Um destes estudos foi conduzido por pesquisadores do Centro de Controle de Doenças estadunidense (CDC): o principal órgão público de epidemiologia dos EUA. Aplicando questionário padronizado a cerca de 11370 voluntários de ambos os sexos, o estudo encontrou relatos de agressão física em cerca de 1/4 dos relacionamentos, em metade destes a violência era mútua. Quando apenas um dos parceiros era o agressor, em 70% dos casos a agressão era cometida pela parte feminina da relação.

Estudos com questionários padronizados costumam divergir fortemente daqueles em que se analisa prontuários de atendimento policial ou médico, nestes casos os homens costumam aparecer como os maiores agressores e as mulheres como as maiores vítimas por uma ampla distância percentual.

Tal divergência emerge duas hipóteses:

1. Homens e/ou mulheres teriam tendência a mentir nos questionários padronizados – geralmente conduzidos por profissionais de saúde mental – com as mulheres omitindo eventos em que foram vítimas e/ou homens omitindo eventos em que foram agressores.

2. Homens teriam tendência a evitar buscar ajuda e/ou comunicar que foram agredidos pelas suas parceiras amorosas, exceto quando as lesões são graves ( como facadas ou ferimentos por arma de fogo).

Um modo de tentar resolver o dilema é comparar os padrões de violência auto-declarada em casais homossexuais, sobretudo os femininos.

Se for verdade que violência entre parceiros íntimos é uma forma particularmente masculina de exercício de opressão machista contra mulheres, então podemos prever uma baixíssima incidência de violência entre parceiros íntimos nos casais homossexuais femininos.

Nada poderia restar mais falso. Na verdade, a pesquisa acumulada aponta para grande semelhança entre os índices e padrões de violência entre heterossexuais e homossexuais de ambos os sexos, eventualmente com prevalência de agressão entre lésbicas em comparação aos relacionamentos heterossexuais.

É o que aponta um relatório do mesmo CDC: o Relatório de Violência por Parceiro Íntimo nos EUA – 2010, a principal e mais recente pesquisa oficial dos EUA neste campo, aponta que mais de 4 em cada 10 mulheres lésbicas, 6 em cada 10 mulheres bissexuais e mais de 1 em cada 4 mulheres heterossexuais já sofreram violência cometida por parceiro íntimo (agressão física, sexo forçado ou controle excessivo do comportamento).

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Perceba a relativa semelhança entre as taxas de vitimização nos diversos grupos: apenas o grupo das mulheres bissexuais foge muito ao setor que vai do próximo a 30% ao próximo ao 40% de vitimização.

A tabela acima não seria esperada – de maneira alguma – se de fato o padrão de violência nas relações entre parceiro íntimo fosse o de homens agressores, mulheres vítimas, como ativistas feministas ou pró-mulher tentam incessantemente convencer.

E o resultado do principal centro epidemiológico dos EUA não é um caso isolado: uma recente revisão publicada na Frontiers in Psychology aponta que estudos conduzidos na África do Sul, na Austrália, na China e nos Reino Unido apontaram resultados semelhantes.

Particularmente sobre uma pesquisa aplicada entre voluntárias lésbicas italianas, informa-se que “As participantes responderam um questionário contendo 29 questões de múltipla escolha. Em mais de um caso em cinco (20,6% do total), a entrevistada admitiu ter medo de sua parceira voltar para casa. Mais, 41,2% das mulheres ocasionalmente esconderam algo de suas parceiras porque tinham medo de suas reações. Além disso, 14,7% das mulheres lésbicas declarou que sempre tinham medo de suas parceiras.”

Os autores da revisão publicada na Frontiers in Psychology comentam ainda que “a opinião pública considera a violência entre LGBTs como um fenômeno raro: essa opinião é particularmente forte em relação às mulheres bissexuais e lésbicas, muitas vezes idealizadas como tendo relações pacíficas e utópicas, longe da violência e agressão comumente associada à virilidade masculina “típica”. Tal estereótipo pode ser um obstáculo para as vítimas lésbicas ao reconhecerem que o comportamento de uma parceira é abusivo e não normal”

2 comentários sobre “Violência entre parceiros íntimos: por que as lésbicas não são exceção?

  1. Sei que tu não é psicólogo, mas viu aquela pesquisa de mulheres punirem bem mais outras mulheres que os homens? acha que isso pode estar relacionado de alguma forma? qual a explicação para mulheres serem agressivas em relacionamentos íntimos? (já que homens, pela prevalência de testosterona, apresentam bem mais agressividade no geral).
    abraços

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