Uma jovem socióloga paraense entrevistada pelo Diário do Centro do Mundo explica que não pretende voltar ao Brasil.

A moça não é identificada na matéria e há apenas uma foto dela de costas para a câmera, mas o jornalista Willy Delvalle informa que ela está fazendo mestrado em Sociologia de Gênero na França. Ela afirma que Bolsonaro foi eleito “democraticamente entre aspas” e que “o fato de ser uma mulher lésbica, o fato de ter posicionamentos feministas, por exemplo, são questões que me fazem repensar a volta”.

Ao ser perguntada sobre os porquês de seu medo, ela destaca as taxas de lesbocídio e feminicídio: lembra que mais de 4 mil mulheres são assassinadas por aqui todos os anos (se esquece de que mais de 55 mil homens também são) e afirma que as taxas de lesbocídio aumentaram mais de duzentos por cento em três anos.

Há muitos detalhes interessantes na entrevista da jovem intelectual apavorada, entrevista esta que qualquer pessoa pode achar jogando “Não volto ao Brasil com Bolsonaro lá. Não é seguro”, diz ao DCM ativista LGBT que mora na França no Google.

Quanto ao tema desta página é digno de destaque a afirmação ( ipsi literis ) de que “O lesbocidio no Brasil ainda é absolutamente subnotificado… Mas ainda assim, o percentual de crescimento do número de mulheres mortas por serem lésbicas é de 237% em três anos.”

Lesbocídio é um neologismo introduzido pelas pesquisadoras Maria Clara Dias, Milena Cristina Carneiro Peres e Suane Felippe Soares.

As três estudiosas da UFRJ coletaram algumas dezenas de notícias em que lésbicas haviam morrido por acidente de trânsito, bala perdida, troca de tiros com a polícia (a lésbica em que questão era assaltante e traficante), suicídio, confronto entre quadrilhas rivais (as lésbicas em questão eram traficantes), crimes passionais (onde as assassinas eram as namoradas da vítimas, ambas lésbicas) e a partir destas notícias compuseram o Dossiê Lesbocídio: um documento financiado pela Capes e pela Faperj que dá conta de que entre 2014 e 2017 morreram 126 mulheres “por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica”.

Parece ser com base neste dossiê que a socióloga entrevistada pelo DCM se baseou para declarar que, mesmo não sabendo o número real de lesbocídios (já que, segundo ela, eles são absolutamente subnotificados), ela sabe que eles cresceram exatamente 237% nos últimos três anos. O que é, em si, uma afirmação toscamente contraditória.

Para saber mais sobre o Dossiê Lesbocídio e descobrir como esta salsicha foi fabricada clique aqui e aqui ou assista o vídeo abaixo.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s