O caso contra as pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro responsáveis pelo projeto de pesquisa “Lesbocídio: as histórias que ninguém conta” ganhou novas nuances após a queda – por decisão da meritíssima juíza de direito Márcia Quaresma – da página “Quem a homotransfobia não matou hoje?”.

Nos últimos dias, fui alvo de denúncia na Delegacia de Atendimento à Mulher do Centro do Rio que foi convertida num processo da Juizado Especial Criminal (juizado de pequenas causas) pelos crimes de calúnia, difamação e pela contravenção de perturbação.

Isto é: Maria Clara Dias, Suane Felippe Soares e Milena Cristina Carneiro Peres pedem agora à justiça que me condene não apenas ao pagamento de indenização e à interrupção da minha atividade jornalística (sim, o que “Quem a homotransfobia não matou hoje?” fazia era jornalismo, em toda a sua essência, e um tipo de jornalismo diferente daquele feito por órgãos profissionais, que se limitam a reescrever “press releases” encaminhados por ONGs e universidades sobre este assunto), mas que eu seja preso e/ou tenha que pagar multa.

Não tive ainda acesso aos autos, mas suponho que elas sustentem a denúncia no fato de eu ter afirmado que elas mentem ao divulgar que 126 mulheres morreram vítimas de preconceito contra lésbicas entre 2014 e 2017 e mais algumas outras em 2018.

Ora, os crimes de calúnia e difamação (este último apenas quando a acusação for contra funcionário público no exercício da sua função, que é precisamente o caso em tela) admitem exceção da verdade. Não há crime se a acusação feita for verdadeira e comprovável.

Eu provei à justiça que as tais pesquisadoras andam por aí afirmando que quando uma lésbica morre trocando tiros com a polícia (ela era assaltante e traficante e dirigia um carro que havia acabado de roubar com mais dois comparsas) trata-se de “morte por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica”.

Apresentei provas também de que as pesquisadoras tratam mortes acidentais, mortes de traficantes chacinadas em boca de fumo por quadrilha rival e outros casos do mesmo nível como se fossem “mortes por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica” em seu estudo.

Caberá a Justiça decidir qual de nós dois está mentindo.

Se a Justiça me condenar, estará considerando automaticamente que o ato de um policial balear uma assaltante em confronto constitui crime de ódio contra lésbicas, e o restinho de confiança que eu possa ter nesta instituição irá pelo ralo.

Moro numa favela, dentro do famoso, insalubre e perigoso Complexo do Chapadão, no Rio de Janeiro.

Por este motivo não recebo minhas correspondências em casa, mas na casa de uma tia muito idosa, já que no morro em que moro nem os Correios sobem.

Fui procurado pelos oficiais de justiça no endereço desta minha tia, não estava e acabei sem saber das notificações judiciais tanto sobre o processo criminal quanto sobre uma determinação judicial de que eu não me manifestasse no evento da EMERJ (sim, foi proferida uma medida cautelar contra mim dizendo que se eu fizesse algum questionamento ao estudo eu deveria ser preso: sorte que o desembargador não abriu espaço para perguntas dos presentes).

Estas são as atualizações da semana sobre o imbróglio entre mim e três pesquisadoras acadêmicas da prestigiosa UFRJ.

Se você não conhece a história e quer saber sobre os detalhes do conflito, bem como de quais bases eu possuo para afirmar que as três estudiosas estão mentindo quando divulgam que 126 mulheres morreram “por motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica”, clique nos links a seguir.

ESTE POST EXPLICA O CERNE DA QUESTÃO E APRESENTA AS PROVAS DAS MINHAS ALEGAÇÕES:

https://naomatouhoje.blog/2018/11/06/lesbocidio-revisitado-um-dossie-sobre-o-dossie/

NESTE VÍDEO UM PROFESSOR DE DIREITO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO EXPLICA E OPINA SOBRE O CASO:

NESTE VÍDEO EU MESMO EXPLICO OS MEUS QUESTIONAMENTOS:

NESTE ARTIGO O ANTROPÓLOGO FLAVIO GÓRDON (CUJA ALMA MATER É O MESMO INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS DA UFRJ EM QUE AS ESTUDIOSAS ATUAM) FALA SOBRE O CASO E SUA RELEVÂNCIA PÚBLICA:

Salsichas acadêmicas: o caso do dossiê sobre lesbocídio

Um comentário sobre “Disputa sobre LESBOCÍDIO vai parar na justiça criminal

  1. Que absurdo toda essa perseguição institucionalizada que você está sofrendo.

    O judiciário é podre e aparelhado, e isto é motivo de preocupação.

    Rui Barbosa bem avisou: “A pior ditadura é a do judiciário; contra ela não há a quem recorrer”.

    Espero que você seja vitorioso. Excelente trabalho que você está fazendo. Não é você quem está errado…

    Curtir

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