A foto da brasileira Marta é meramente ilustrativa: atualmente, a melhor jogadora do Mundo é a norueguesa Ada Hegerberg.

DANIEL REYNALDO
Rio de Janeiro, 07 de maio de 2019

Na fria e distante Noruega – um dos países mais igualitários do mundo (assista o documentário abaixo)  – o futebol não é uma especialidade nacional. O ativismo feminista mainstream – ao contrário – faz sucesso, como em todo o mundo ocidental contemporâneo.

Neste país, o futebol feminino tem maiores escores internacionais que o masculino, se comparados os desempenhos das seleções de cada sexo.

A Noruega foi quatro vezes às semifinais do campeonato mundial feminino, realizado desde 1991: ganhou uma. Já a seleção masculina só participou de 3 edições do mundial, realizado desde 1930, chegando no máximo às oitavas de final.

Ada Hegerberg, jogadora e ativista feminista que foi eleita ano passado como a melhor boleira do planeta, ficou instantaneamente famosa no noticiário internacional progressista nos últimos dias. Ela se negou a participar da próxima Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será jogada na França em junho e julho deste ano.

Sem título
Ada protesta contra o fato de que a federação norueguesa não dá às atletas mulheres os mesmos salários ou mesmas condições de transporte e hospedagem que concede aos atletas do selecionado masculino.

O progressista El Pais se debulha em lágrimas: “Em pleno século XXI, por discriminação, o melhor torneio de futebol não contará com uma das melhores jogadoras do mundo.” escreve o repórter Ladislao Moniño, da editoria de esportes em Madri.

Estão certos! Atletas mulheres deveriam receber até mais do que jogadores masculinos na Noruega, pois não?

Afinal: as mulheres norueguesas conquistaram um campeonato, um vice, a melhor jogadora do mundo na atualidade… iuzomi?

Bem, se você achar que o critério para definir a remuneração média de atletas é o desempenho das mulheres contra outras mulheres em comparação ao desempenho dos homens contra outros homens nas copas esportivas internacionais, sim, mas seu critério está errado.

Clubes e patrocinadores têm um único motivo para pagar altos salários aos atletas: a expectativa de receberem de volta valores ainda mais vultosos. O retorno do investimento se deve à venda direta de ingressos e/ou à comercialização de produtos licenciados e/ou à exposição das marcas dos patrocinadores a um público qualificado, que gera um aumento indireto das vendas de produtos e serviços não relacionados ao clube.

Em 2018 a liga masculina de futebol norueguês levou 1407693 espectadores aos estádios escandinavos com uma média geral de 5865 pagantes por partida. A partida com menos ingressos vendidos recebeu 1393 pagantes, a com mais espectadores recebeu 21201 torcedores. Assista abaixo um trecho da partida entre o campeão Rosenborg e o Ranheim, que terminou a liga em sétimo lugar.

Não encontrei a média de público da Toppserien – a liga feminina norueguesa – em 2018, mas uma matéria publicada durante a liga de 2017 informava que, após 12 rodadas e 71 jogos, 15030 torcedores haviam pago ingresso.

Menos gente pagou para assistir as primeiras 71 partidas da primeira divisão da liga feminina norueguesa em 2017 do que apenas o número de pagantes na partida acima, do campeão masculino.

Obviamente a liga feminina recebe menor atenção do cidadão médio norueguês em comparação à liga masculina, ainda que as mulheres norueguesas pareçam jogar melhor que as mulheres de outros países e que os homens noruegueses pareçam jogar pior que os homens de outros países.

Preconceito?

Veja abaixo trechos de uma partida do time campeão das últimas 4 edições da liga feminina, o gigante do futebol feminino da terra do bacalhau, o LSK Kvinner (estes parecem ser os melhores momentos):

É claro: não estou certo de que a Ada não enxergue isso.

Talvez ela compreenda exatamente o motivo pelo qual as atletas norueguesas recebam salários mais modestos do que os atletas de seu país, e também menos prestígio.

Talvez ela apenas tenha compreendido que ser ícone do vitimismo feminista internacional é mais lucrativo do que ser ícone do futebol norueguês. Para isso há mercado – um mercado extremamente lucrativo – para isso ela tem plateia, e nisso ela é boa. Muito boa!

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