Três pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro moveram uma série de processos contra mim. No mais movimentado deles, na área cível, elas obtiveram uma vitória inicial (concedida pela juíza Marcia Maciel Quaresma) e uma derrota acachapante – por 3 a 0 – em decisão de turma recursal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Agora as responsáveis pela pesquisa fraudulenta Dossiê Lesbocídio recorrem ao STF na tentativa de impedir minhas críticas à metodologia desonesta aplicada por elas no referido estudo, e esta história você vai conhecer aqui, detalhadamente, em 6 capítulos.


Era por volta de janeiro de 2018. Eu havia acabado de criar “Quem a homotransfobia não matou hoje” – página que foi censurada pela Justiça do Rio (em uma decisão já revogada, mas que continua fora do ar pelo fato de o Facebook ter acatado a decisão da censura, mas ainda não acatado a decisão que revogou a censura).

A página havia nascido com a proposta de esmiuçar exemplos de manipulação envolvendo estatísticas associadas a questões identitárias, com destaque para as estatísticas fraudulentas de mortes por homofobia do Grupo Gay da Bahia, mas não limitada a elas.

A motivação para criar esta página vinha de incômodo antigo sobre como “defensores de minorias” usam manipulação em números para fabricar ou exagerar noções de “desigualdades” e desta forma obter ganhos políticos para si próprios e privilégios legais para seus representados.

Por volta de janeiro de 2018, semanas depois da página ter ido ao ar, me deparei, pela internet, com uma pesquisa feminista da qual ainda não tinha ouvido falar: “Lesbocídio: as histórias que ninguém conta”. A pesquisa era patrocinada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde eu estudava até então, o que aumentou meu interesse.

No site oficial da pesquisa, então hospedado em www.lesbocidio.wordpress.com (a página foi retirada do ar pelas pesquisadoras, esta história contarei depois) dizia-se que desde 2014 mais de 100 mulheres haviam morrido apenas por serem lésbicas no Brasil.

Já conhecia a pesquisa do Grupo Gay da Bahia e sabia que a ONG costumava inventar que mortes por infarto, por overdose, por bala perdida e até mortes fora do Brasil eram mortes por homofobia; mas, de uma pesquisa da UFRJ, eu esperava encontrar um nível menor de fraude. Ledo engano.

A página mencionada acima tinha uma lista dos casos, como nomes, datas, cidades e alguns links, que haviam sido usados pelas pesquisadoras como prova de uma epidemia de casos de lesbofobia no Brasil.

Comecei a checar estas informações, presentes no próprio site mantido pelas estudiosas. Copiava os nomes, buscava no Google por notícias sobre aqueles casos, e comecei a perceber que o que elas estavam chamando de “mortes motivadas por preconceito contra mulheres homossexuais” na verdade eram mortes por bala perdida, morte de lésbica assaltante durante troca de tiros com a polícia e morte de lésbica traficante fuzilada por quadrilha rival.

Além da página no WordPress, as estudiosas mantinham uma página no Twitter (da qual eu consegui imprimir uma cópia com todo o conteúdo, antes que elas deletassem o perfil).

Foi com base nesta cópia salva que eu consegui revisar boa parte dos 126 casos de “mulheres mortas por serem lésbicas” divulgados pela UFRJ e passei a demonstrar publicamente que a pesquisa era fraudulenta.

Nos links abaixo você pode acessar a cópia da página oficial da pesquisa no Twitter (que acabou sendo deletada pelas pesquisadoras quando eu comecei a expor a fraude), bem como uma lista com alguns dos casos mais absurdos de mortes que foram divulgadas pelas pesquisadoras como se fossem crimes lesbofóbicos: são casos de crimes passionais, mortes por acidente, mortes não elucidadas e mortes de criminosas em pleno ato ilícito.

A SEGUIR…

… vou falar sobre o evento de lançamento oficial da pesquisa. O evento ocorreu na sede do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Saí de lá estapeado por diversas ativistas, levado a duas delegacias como acusado de agressão e – não havendo qualquer base nas alegações contra mim – liberado para casa.

O motivo da confusão? Eu me inscrevi para a roda de perguntas, esperei educadamente a minha vez, e fiz dois questionamentos incômodos.

FONTES

https://drive.google.com/file/d/1zt0nsIXMlH41Ol46QVqIbpJ2aIU7HFIu/

2
https://naomatouhoje.wordpress.com/2018/11/06/lesbocidio-revisitado-um-dossie-sobre-o-dossie/

3
https://naomatouhoje.wordpress.com/2019/04/21/lesbocidio-contra-a-censura-mais-informacao/

 

 

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