Três pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro moveram uma série de processos contra mim. No mais movimentado deles, na área cível, elas obtiveram uma vitória inicial (concedida pela juíza Marcia Maciel Quaresma) e uma derrota acachapante – por 3 a 0 – em decisão de turma recursal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Agora as responsáveis pela pesquisa fraudulenta Dossiê Lesbocídio recorrem ao STF na tentativa de impedir minhas críticas à metodologia desonesta aplicada por elas no referido estudo, e esta história você vai conhecer aqui, detalhadamente, em 6 capítulos.

O dia era 07 de março de 2018, a UFRJ estava divulgando o evento de lançamento da pesquisa “Lesbocídio – as histórias que ninguém conta” e o evento era aberto ao público. Me preparei para ir, anunciei em Quem a homotransfobia não matou hoje? (perfil atualmente censurado por conta de decisão judicial já revista, mas cuja revisão ainda não cumprida pelo Facebook) que o evento iria ocorrer no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, e que eu iria comparecer.

Saí cedo de casa. Levei um gravador portátil, pois pretendia fazer um post sobre a palestra e era importante ter um registro do que tinha sido dito. Tudo calmo, fui um dos primeiros a chegar, assinei, sentei, tinha dois livros na mochila: “A sujeição da mulher”, do John Stuart Mill e “Tolos, fraudes e militantes” do Roger Scruton, fiquei lendo.

A palestra começou com algum atraso e foi rápida: as três pesquisadoras abordaram superficialmente seu método de coletas de dados, não mencionaram nada sobre usarem mortes de traficante trocando tiros com a polícia como sendo caso de morte motivada por homofobia, também não mencionaram nenhum caso que tivesse de fato indícios de homofobia.

Um dos trechos que me chamou atenção foi a reclamação sobre uma lésbica que foi assassinada e ficou horas esperando pela perícia, na rua, debaixo do sol, coberta com jornal. A estudiosa, se não me engano a Suane, mas pode ter sido a Milena, achava que aquilo era uma prova do desrespeito contra mulheres homossexuais. A tudo eu ia anotando no meu celularzinho.

Outro destaque foi quando uma das pesquisadoras disse que apenas em 2017, 17 mulheres haviam se suicidado, e que este era um número altíssimo que mostrava a necessidade de um olhar especial sobre a saúde mental das lésbicas.

Abri o Google e descobri que 11 mil pessoas se suicidam no Brasil todos os anos. Não fiquei convencido de que 17 mulheres homossexuais num universo de 11 mil seres humanos seja um número impressionante, digno de um olhar especial e revelador de uma epidemia homofóbica.

Terminada a palestra, foi aberto espaço para perguntas da plateia. E é aí que a coisa esquenta.

Me inscrevi sem problemas, era o sétimo da fila, se não me engano. Ouvi respeitosamente as perguntas e quando me foi dada a vez, fiz dois questionamentos:

1 Sobre se 17 lésbicas suicidas num universo de 11 mil seres humanos é mesmo um número que revele algo de especial ou se não é apenas revelador de que entre suicidas estejam pessoas de diversas categorias, inclusive lésbicas.

2 Sobre o motivo de elas incluírem acidentes e mortes de traficantes como se fossem crimes de ódio.

A sala veio abaixo: “Fascista! Machista! Homofóbico! Asqueiroso!” eram alguns dos termos.

Passei a ser ameaçado de agressão por várias ativistas, uma delas passou pelas minhas costas e me deu um tapa no pescoço, respondi a algumas ameaças de forma irônica (por exemplo: quando puxaram um “Ih, fora! Ih, fora!” levantei e dei umas reboladinhas toscas no ritmo da canção). Uma das lésbicas me chamou de assassino: eu ri.

A coisa voltou à uma tranquilidade tensa, por assim dizer. Seguranças entraram, pediam para que eu me retirasse. Me neguei veementemente, sustentava que estava pacificamente participando de um evento público na condição de mero assistente (exceto no momento em que me foi dada, dentro das normas, a palavra) e que ademais era também aluno daquela universidade. Que a única “violência” que havia cometido tinha sido a de ter feito duas perguntas pacíficas e ordeiras em tempo ofertado a mim para isso. Só sairia quando o evento acabasse. O evento acabou, eu saí, mas a noite só estava começando.

Comecei a ser estapeado, socado… nada grave, soquinhos e empurrõezinhos na medida para não me deixarem nenhuma lesão que pudesse servir de prova a meu favor, mas que pudessem quem sabe me levar a uma reação (que seria usada contra mim). Não caí na estratégia.

Fui segurado pelo pescoço por um homem mulato e idoso que se apresentou como diretor do IFCS (não era, era um funcionário administrativo).

Este homem me manteve preso em um elevador e em uma sala por cerca de 30 minutos, chamaram a polícia, dois policiais militares extremamente cordiais me levaram tranquilamente até à delegacia. A diretora do IFCS estava lá – junto com outras mulheres: o pedido era para que os delegados me dessem voz de prisão, em flagrante, um dos delegados chega a ironizar, observando que não havia flagrante de cousa alguma contra mim.

Acabo liberado após passar por duas delegacias e em ambas as denúncias serem rejeitadas pelos delegados

Cheguei a remeter o caso ao MPF e à PF, mas o MPF votou pelo arquivamento da denúncia, entendendo que a ação do funcionário público que me prendeu foi dentro dos limites de sua profissão, e para conter a confusão.

A cópia da denúncia que remeti à Polícia Federal, com links para todos os áudios da palestra e da confusão posterior à palestra, está nos links abaixo.

O caso acabou sendo encerrado como uma confusão sem crime, em que não houve punição a nenhuma das partes.

A SEGUIR…

… cheguei a anunciar que a parte II seria sobre o sumiço dos dados, mas lembrei que no dia da confusão os dados ainda estavam disponíveis no site oficial da pesquisa fraudulenta.

Na parte III sim, falarei sobre o sumiço dos dados e a disputa (mal sucedida) na Controladoria Geral da União pela transparência.

FONTES:

https://drive.google.com/file/d/1_bycSkNQ8nsJXSl2D-I6zotk9oVpSm4n/view?usp=sharing

https://www.youtube.com/watch?v=4Fg_UN7zNo4

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