Três pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro moveram uma série de processos contra mim. No mais movimentado deles, na área cível, elas obtiveram uma vitória inicial (concedida pela juíza Marcia Maciel Quaresma) e uma derrota acachapante – por 3 a 0 – em decisão de turma recursal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Agora as responsáveis pela pesquisa fraudulenta Dossiê Lesbocídio recorrem ao STF na tentativa de impedir minhas críticas à metodologia desonesta aplicada por elas no referido estudo, e esta história você vai conhecer aqui, detalhadamente, em 6 capítulos.


Continuei analisando os dados disponíveis site oficial do estudo: lesbocidio.wordpress.com . Além desta página, as estudiosas haviam criados dois canais: uma página no Twitter ( http://www.twitter.com/lesbocidio ) e uma página no Facebook ( http://www.facebook.com/Lesbdados ).

Maria Clara e suas colegas de projeto anunciavam que mais de uma centena de mulheres haviam morrido nos últimos anos em função do fato de serem lésbicas. Postavam fotos das supostas vítimas de homofobia, seus nomes, mensagens de luto e mais uma informação ou outra.

Foi através destas páginas que fui descobrindo histórias como a de Micaela Ferreira Avelino, uma das alegadas vítimas de homofobia no dossiê da UFRJ: na verdade havia sido baleada acidentalmente, quando um segurança de um banco localizado ao lado do salão de beleza onde ela trabalhava alvejou um ladrão e os estilhaços acabaram matando a cabeleireira.

Uma morte trágica, mas de maneira alguma um caso de homofobia (ou lesbofobia) como anunciavam as estudiosas. Micaela foi uma vítima da violência urbana, que teve sua tragédia usada desavergonhadamente pelas estudiosas para inflar dados do ativismo acadêmico LGBT.

Também descobri que as estudiosas tratavam como mortes motivadas por “lesbofobia” a casos em que criminosas foram baleadas em pleno ato criminoso. Casos como o de Fabíola Oliveira Menezes: assaltante e traficante lésbica que foi morta pela polícia enquanto fugia em um carro roubado e trocava tiros com os PMs. Havia ainda uma série de casos de suicídio, de crime passional ( onde a autora era também lésbica) e até um acidente de trânsito. Tudo divulgado pelas especialistas da UFRJ como se fossem casos de “morte por preconceito contra lésbicas”.

Certo dia, ao acessar a página oficial da pesquisa, os dados – como por um passe de mágica – não estavam mais lá.

As estudiosas haviam deletado a página oficial do estudo no WordPress. Haviam deletado também as informações disponíveis no Facebook (a página foi mantida, mas sem as informações sobre as vítimas que estavam sendo consideradas no Dossiê).

Eu havia cometido o deslize de não salvar as páginas num serviço de cache nem printar os dados, mas elas também moscaram.

Esqueceram de deletar a página do Twitter, e esta eu consegui – às pressas – imprimir e manter salva. Quando elas finalmente se lembraram de apagar também a conta do Twitter, eu tinha uma cópia salva em PDF, com boa parte das informações, e continuei revisando as informações a partir desta cópia.

Paralelamente, acionei a UFRJ, solicitando que me encaminhassem uma lista de todas as mortes que haviam sido consideradas na composição da fraude.

Foi uma longa briga, mediada pela Controladoria Geral da União.

A UFRJ deixava passar os prazos para resposta, eu renovava minha solicitação, a UFRJ de novo deixava o prazo passar, eu de novo solicitava.

Quando finalmente foi obrigada a responder – sob ameaça de punição por parte da Controladoria – a professora Maria Clara mentiu sobre a pesquisa não ter recebido financiamento público, argumento que não foi aceito pela CGU, já que o próprio salário polpudo que a professora recebe constitui financiamento público às pesquisas que publica em nome da UFRJ.

A CGU chegou a me dar ganho, exigindo que elas me passassem informações sobre os processos judiciais relativos a cada morte, mas acabou voltando atrás. As estudiosas alegaram que aquele tipo de informação seria sensível, já que dizia respeito à privacidade de pessoas mortas.

Um argumento que me parece tosco dado que, segundo as mesmas estudiosas, as informações que utilizaram foram coletadas de notícias de jornal, informações estas que já são – por natureza – públicas.

Além do mais, as próprias estudiosas deram publicidade a estes nomes em seus sites, até o momento em que se deram conta de que tal publicidade servia como prova da fraude grotesca contida na conclusão do estudo. Por lógico, não era as imagens das vítimas que a omissão da lista preservava, mas a própria credibilidade do estudo e das estudiosas.

Seja como for – a Controladoria Geral da União acabou finalmente me negando acesso aos dados que eu solicitava.

Desta forma parte das mortes incluídas na fraude se perderam, restando apenas aquelas das quais as pesquisadoras haviam dado conta na página oficial da pesquisa no Twitter, o que já é mais do que o suficiente para comprovar a desonestidade na alegação – divulgada pelas especialistas – de que 126 mulheres morreram por ser lésbicas entre 2014 e 2017, como se pode ver nos links abaixo.

A SEGUIR…

… as estudiosas abrem um processo contra mim e uma juíza que “luta contra o fascismo” concede liminar censurando a página original: facebook.com/naomatouhoje

FONTES

https://naomatouhoje.wordpress.com/2019/04/21/lesbocidio-contra-a-censura-mais-informacao/

https://naomatouhoje.wordpress.com//2018/11/06/lesbocidio-revisitado-um-dossie-sobre-o-dossie/

https://ouvidorias.gov.br/noticias/2018/como-uma-pesquisa-sobre-lesbocidios-nos-ajuda-a-entender-as-relacoes-entre-transparencia-publica-e-etica-academica

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