Seleção sexual é um fenômeno biológico comum a diversas espécies animais. Ecólogos e geneticistas costumam teorizar que a seleção sexual esteja vinculada aos fenômenos da pleiotropia e da ligação gênica.

A pleiotropia é a possibilidade de que um mesmo gene (por exemplo: o gene CYP19, responsável pela síntese da enzima aromatase) influencie numa série ampla de características do sujeito (a aromatase está implicada nas vias de síntese dos hormônios sexuais e alterações em sua expressão podem influenciar os padrões de voz, de musculatura, de agressividade, de cuidado parental, de auto-confiança, de distribuição de gordura, de pelos no corpo, de altura…).

A ligação gênica é o fenômeno pelo qual alelos presentes em um mesmo cromossomo tendem a se segregar de maneira estatisticamente vinculada.

A pressão seletiva sobre determinados genes pleiotrópicos ou ligados permitiria que – durante a escolha de um parceiro sexual – o animal atire no que está vendo e acerte no que não vê. Escolha um papagaio macho de penas bem vermelhas e garanta filhotes com enzimas digestivas bem adaptadas às sementes disponíveis na sua região da floresta; fique excitada por um macho musculoso, alto e de voz grossa e aumente as chances de conseguir proteção e provimento pra si e pra seus filhos. Muito simplificadamente: é assim a que seleção sexual funciona na cabeça de biólogos.

Pensadores feministas tendem a explicar seleção sexual humana em termos de estrutura de poder, racismo, capitalismo, opressão de gênero e bla bla bla bla.

Para estes, os machos da espécie humana teriam uma certa tendência a achar bonitas mulheres como a Gisele Bundchen, a Alessandra Negrini e a Tais Araújo apenas porque são ensinados assim pelas novelas da Globo e pelas propagandas das sandálias Ipanema.

O portal UOL resolveu (através do seu site especializado em lacração feminista: o Universa) publicar mais uma matéria “jornalística” problematizando a preferência de homens por mulheres magras, de traços suaves e não-flácidas.

A matéria foi intitulada ” Mulheres contam casos de gordofobia no 1º encontro: ‘Coca Zero, né?’ ”

Para criar o texto, a repórter Natália Geraldo entrevistou mulheres gordas, que falaram sobre episódios de rejeição envolvendo aplicativos de paquera.

São histórias bobinhas sobre primeiros encontros em que não rolou química e em que as mulheres julgaram – possivelmente com razão – que o motivo do toco havia sido o peso acima da média, o corpo flácido e a cara de lua.

Uma das histórias chama mais a atenção. Natália narra a tragédia de Fernanda. Fernanda é uma estudante de Direito que busca um grande amor no Tinder. Fernanda conta que adulterava as próprias fotos para parecer bem mais bonita do que de fato é, e que também evitava mostrar fotos de corpo inteiro.

Um belo dia, Fernanda deu match com um (e Natália coloca aspas, pra deixar claro que esta foi a descrição exata dada por nossa heroína) “veterinário lindo, moreno, alto de olhos azuis”.

O nosso vilão – apaixonado pelas fotos adulteradas – foi ao encontro de nossa heroína, mas ao chegar ao local marcado não pode disfarçar a surpresa e desapontamento com o que via.

O encontro foi horrível, o nosso vilão alto moreno musculoso de olhos azuis mudou imediatamente a postura e os interesses quanto ao casal.

A história é um combo: Fernanda fraudou toda a informação sensível que poderia ser usada por nosso herói, digo, digo… vilão na escolha de uma parceira amorosa.

Poderíamos sair em defesa de nossa vilã, digo, digo… heroína alegando que ela é um belíssimo caso de pessoa pura e simples que acredita mesmo na história do Shrek, mas a gorda não ajuda.

Lembra? Na descrição que faz do pretendido ela diz que o infeliz era um “veterinário lindo, moreno, alto de olhos azuis”.

A escolha cuidadosa das palavras me indica que Fernanda tem os mesmos interesses fúteis e pouco nobres da maioria dos humanos na hora de escolher parceiros sexuais: como mulher, está especialmente interessada no status social de um possível pretendente (evidenciado pelo destaque dado à profissão de algum prestígio), sem deixar de lado os aspectos (ora, ora) físicos do futuro grande amor (olhos azuis, alto, moreno…).

Fico imaginando o cenário invertido desta terrível tragédia vivida por nossa amiguinha.

Fernanda, no primeiro encontro, marcado num bar descolado da Lapa, descobre que o match era baixinho (ao contrário do que a descrição indicava), tinha olhos castanhos e cara de carranca (o homem lindo de olhos azuis era filtro, assim como o rosto de princesa que Fernanda exibia em seu próprio perfil) e não – ele não era veterinário – era enfermeiro veterinário: e estava desempregado.

2 pensamentos

  1. Ela tentou dar o fatfish e se quebrou. O curioso é a hipocrisia feminina que se reserva o direito de escolher quem quiser, do jeito que quiser, mas não admite que um homem tenha gostos e preferencias

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