Grande imprensa e ativistas feministas têm estratégias diversas para mentir com dados estatísticos.

Eventualmente os dados são inerentemente fraudulentos.

Este é o caso dos números do Grupo Gay da Bahia e da Universidade Federal do Rio de Janeiro em suas pesquisas sobre “mortes por homofobia”: estas instituições listam casos de mortes por acidente, mortes por overdose fora do Brasil, mortes por bala perdida e mortes por infarto e classificam como sendo assassinatos motivados por homofobia no Brasil. São números realmente falsos.

Em outros momentos, os números são verdadeiros, mas são divulgados de maneira desonesta, tendenciosa, mal interpretada, levando à uma narrativa diferente daquela que os dados de fato permitem produzir.

Foi esta a estratégia aplicada na produção de um texto assinado pela jornalista Bárbara Libório, da Revista Época​, publicado em março de 2019.

A matéria traz – em letras garrafais – o título A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO BRASIL EM CINCO GRÁFICOS.

Barbara diz, no subtítulo, que “Dados do Ministério da Saúde mostram como aumentaram as notificações de agressões físicas, violência psicológica, estupro marital, assédio no trabalho e uso de armas de fogo”

PARTE 6
Barbara Libório desenhou cinco gráficos baseados em dados aleatórios do SINAN para “demonstrar” que a “violência contra mulher” no Brasil está subindo alarmantemente

Ao longo do texto, Bárbara vai afirmar com alta dose de alarmismo que – segundo os dados do Ministério da Saúde – as notificações de estupros de cônjuges aumentaram de 79 para 890 casos, que os assédios sexuais por chefe aumentaram de 13 para 45 casos e que os números de violência por arma de fogo contra mulher aumentaram de 1 120 para 4 209 casos, que os casos notificados de violência física por companheiro amoroso cresceram de 4 339 para 33 961 e que houve explosão também das notificações de violência psicológica.

PARTE 6
Para provar que houve uma explosão de “violência contra a mulher”, Barbara selecionou 5 variáveis e mostrou que houve aumento na notificação de casos entre 2009 e 2017.

 

Ao leitor crédulo no peso da marca “Revista Época” e não habituado à metodologia usada pelo Ministério da Saúde fica a impressão de que os CASOS de violência contra mulheres estejam aumentando de forma avassaladora, mas isto não pode ser realmente inferido dos dados.

O VIVA/SINAN (Vigilância de Violências e Acidentes do SINAN) se baseia apenas nas notificações emitidas pelas unidades de saúde de todo o país.

Em 2009, a Vigilância de Violência e Acidentes estava sendo ainda integrada ao SINAN e as notificações eram inicialmente feitas apenas por unidades sentinela (unidades de saúde selecionadas por amostra). Só posteriormente as notificações passaram a ser compulsórias para todas as unidades de saúde. Além do mais, a lista de violências de notificação compulsória ganhou acréscimos ao longo do tempo.

E mais: o VIVA/SINAN ainda não é um sistema totalmente implementado: um estudo publicado em 2019 mostra que – em Pernambuco – no ano de 2014 apenas cerca de 70% da estrutura de saúde do estado tinha implantado o SINAN.

Estes fatores impedem que o aumento no número de notificações seja interpretado automaticamente como um aumento no número de casos.

|| NOTIFICAÇÕES DE VIOLÊNCIA CONTRA HOMENS

O SINAN possui regras distintas para notificação de violência para ambos os sexos (saiba mais sobre isso clicando nos links no final do texto), mas as notificações de violência contra homens também cresceram significativamente entre 2009 e 2017.

Para se ter uma ideia: em 2009 foram notificados apenas 2 casos de envenenamento suspeito de ser proposital (por outra pessoa ou pelo próprio indivíduo) ocorridos no Rio Grande do Sul contra vítimas do sexo masculino, em 2016 foram 309 casos notificados e em 2017 foram 806 casos.

Slide1

Notificações de envenenamento contra homens gaúchos aumentou inacreditáveis 403 vezes entre 2009 e 2017: explosão de violência gauchofóbica ou deficiência nos mecanismos de vigilância epidemiológica?

Isto não significa que de 2009 para 2017 tenha havido um inacreditável aumento de 403 vezes no número de tentativas de homicídio ou suicídio por meio de envenenamento contra homens gaúchos.

O mais provável é que, em 2009, as unidades hospitalares do Rio Grande do Sul (e de todo o país) ainda não estavam preparadas para dar conta das novas demandas de notificação ao Ministério da Saúde. Muitas delas nem tinham esta obrigação (não eram unidades sentinela, lembrando que até 2011 os casos eram notificados apenas por unidades sentinela).

Ainda hoje é pouco provável que todos os casos atendidos sejam de fato notificados, desconheço estudos sobre o nível de implantação do SINAN no Rio Grande do Sul, mas como já mostrado acima, em outros estados o sistema ainda não está completamente implementado.

Por conta destes diversos fatores (o fato de que o SINAN ainda está em fase progressiva implantação, o fato de que a lista de violências de notificação obrigatória foi ampliada, o fato de que em 2009 a obrigação de notificar os casos suspeitos de violência ainda não era universalizada…), se você comparar QUALQUER dado de violência contra QUALQUER grupo desde 2009 você verá aumento nos números de NOTIFICAÇÕES.

O que jornalistas e ativistas como a Barbara têm feito é:

(1) Selecionar, pinçar, de maneira tendenciosa alguns tipos específicos de violência especificamente contra mulheres

(2) Ignorar os problemas epistemológicos mencionados, que influenciam na leitura dos dados

(3) Alardear o crescimento das notificações como se representasse o crescimento dos casos efetivos, o que – definitivamente – não é honesto.

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|| Quem? #lesbocídio COMPAROU ALGUNS DADOS E TAMBÉM DESENHOU ALGUNS GRÁFICOS

Segundo o mesmo banco de dados que a Barbara Liborio usou em sua propaganda reportagem, podemos chegar a outros crescimentos “assustadores” em índices de violência contra grupos demográficos diversos:

Slide2
Em 2009 o Ministério da Saúde recebeu 63 notificações de casos suspeitos ou confirmados de crianças do sexo masculino queimadas pela própria mãe. Em 2017 foram 695.

 

Slide4
O número de notificações relativas a meninos (crianças do sexo masculino) agredidos pela própria aumentou em mais de 4 vezes ao longo de 9 anos.
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No Rio de Janeiro foram notificados 4 183 casos de violência física contra homens. Em 2009 haviam sido menos de 500. Nem todas as violências físicas contra homens são de notificação compulsória. Para saber mais sobre isso, clique nos links no final do texto.

 

Homens intencionalmente envenenados no Rio Grande do Sul
Em 2017 foram 33 207 notificações de atendimento a homens brancos vítimas de violência.  28 759 casos a mais que em 2009. Explosão de violência homembrancofóbica?


 CRIANÇAS E ADOLESCENTES DO SEXO FEMININO ESTUPRADAS PELA PRÓPRIA MÃE

Em 2009 foram 16 notificações de meninas com entre 10 e 19 anos e 7 casos de meninas com menos de 10 anos estupradas pela própria mãe. Já em 2017 foram 352 casos de meninas com menos de 0 a 19 anos estupradas pela própria mãe, cujos atendimentos médicos foram notificados ao Ministério da Saúde.

CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA COM OBJETO PERFURO-CORTANTE (FACADA, AGULHADA, CORTES COM LÂMINA DE BARBEAR) POR UM DOS PAIS

Em 2017, foram notificados 228 casos de violência deste tipo cometidas por mães e 155 cometidas por pais. Em 2009 foram notificados 25 casos cometidos por pais e 30 cometidos por mães.

IDOSOS VÍTIMAS DE QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA POR UM DOS FILHOS

Em 2009 foram notificados ao Ministério da Saúde 396 casos de violência contra idosas e 200 casos de violência contra idosos em que o suposto agressor era o próprio filho. Em 2017 as notificações foram de 3 941 casos contra idosas e 2 107 casos contra idosos, em que o próprio filho foi identificado pela equipe de saúde como provável autor.

IDOSOS VÍTIMAS DE QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA POR UM DOS FILHOS

Em 2009 foram notificados ao Ministério da Saúde 396 casos de violência contra idosas e 200 casos de violência contra idosos em que o suposto agressor era o próprio filho. Em 2017 as notificações foram de 3 941 casos contra idosas e 2 107 casos contra idosos, em que o próprio filho foi identificado pela equipe de saúde como provável autor.

|| EXPLOSÃO GENERALIZADA: CHEQUE VOCÊ MESMO

Podemos fazer isso para qualquer tipo de violência e qualquer grupo demográfico e sempre veremos um crescimento assombroso dos índices de violência notificados ao Ministério da Saúde entre 2009 e 2017: experimente abrir o portal TabNet e comparar as notificações de meninos estuprados entre 2009 e 2017 no Tocantins, ou de idosos esfaqueados em Sergipe, ou de mulheres vítimas de disparo de arma de fogo em todo o país, ou de meninos espancados pelas próprias mães em Belo Horizonte.

Os números serão sempre muito maiores em 2017 do que em 2009, não porque os casos de fato aumentaram alarmantemente, mas pelas questões metológicas relatadas acima.

Feministas têm se aproveitado disto para disseminar exaustivamente uma suposta “explosão de violência” contra mulheres. Existe uma ONG, a Gênero e Número, quase exclusivamente focada em produzir leituras enviesadas dos dados do SINAN.

Em breve os dados de 2018 (que já estão disponíveis na forma de microdados) estarão na base TabNet: prepare-se para uma enxurrada de alarmismo e desinformação.

|| SAIBA MAIS SOBRE OS DADOS DO SINAN

Você quer entender melhor como os dados do SINAN são produzidos e divulgados, a que inferências eles realmente servem e como o ativismo feminista usa determinados aspectos da metodologia para produzir alarmismo baseado em leituras fraudulentas?

Clique nos dois links abaixo:

MULHERES NÃO SÃO QUASE 67% DAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA NO BRASIL, ENTENDA

VIOLÊNCIA CONTRA HOMENS DIMINUI A PARTIR DA ADOLESCÊNCIA? SIM, SINAN E CONFIABILIDADE DOS DADOS EPIDEMIOLÓGICOS

 

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