Os números de assassinatos diminuíram nos dois últimos anos, tanto contra homens quanto contra mulheres.

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Em 2019 foram 3 739 assassinatos de mulheres. Em 2018 haviam sido 4 353. Em 2017: 4 558.

Já, segundo uma recente propaganda veiculada no portal G1, houve um aumento de 7,3% nos casos de feminicídios – crimes de ódio motivados pela condição de gênero.

Podemos inferir que o número de mulheres assassinadas por motivos não relacionados ao seu sexo reduziu de 3 511 para 2 425?

Ou será que tem algum tipo de fraude nestes números? Como entender – que em dois anos de queda seguida no assassinato de mulheres (e de demais seres humanos) – o número de mulheres assassinadas por serem mulheres tenha aumentado? É no mínimo contra-intuitivo, não é? Cheira a fraude, porque é fraude.

A própria peça de publicidade veiculada pelo G1 acaba por demonstrar a manipulação, ao citar entrevista com o delegado Roberto Cândido, policial civil do Distrito Federal:

Aumentou registro porque nós passamos a tratar todos [os casos] como feminicídio. Antes de 2017, teríamos um suicídio, não um feminicídio. Teria uma morte violenta ou um desaparecimento, não o feminicídio

O G1 mesmo explica a fala do delegado: “Desde 2017, o DF adota um protocolo em que todos os casos de mulheres mortas, desaparecidas ou que aparentemente cometeram suicídio são inicialmente tratados como feminicídio. Se durante a investigação a polícia descobrir que as motivações não eram de gênero, o crime é reclassificado para homicídio ou suicídio.”

Sim, senhoras e senhores! SUICÍDIOS, DESAPARECIMENTOS OU MORTES VIOLENTAS SEM MOTIVAÇÃO ESCLARECIDA ESTÃO ENTRANDO NAS ESTATÍSTICAS DE “ASSASSINATOS MOTIVADOS POR ÓDIO À CONDIÇÃO DA MULHER”.

Não sou eu quem digo, basta acessar à peça publicitária produzida pelo G1 e ler o trecho relativo à fala do delegado Roberto.

OUTROS ESTADOS?

Roberto fala especificamente sobre os números da sua unidade federativa, o Distrito Federal, mas um documento produzido pela ONU MULHERES ( sempre a ONU Mulheres ) intitulado “Diretrizes para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres” indica o mesmo caminho: “Como primeiro passo para essa mudança, é importante que, diante da morte violenta de uma mulher, as autoridades responsáveis adotem como uma das hipóteses iniciais que a causa da morte está associada às razões de gênero, entendidas como o sentimento de desprezo, discriminação ou posse relacionado à desigualdade estrutural que caracteriza as relações entre homens e mulheres.”


LEIA TAMBÉM: MAIS CONFUSÃO NOS NÚMEROS DE ASSASSINATOS DA ONU MULHERES


A ONU publicou tal recomendação em 2016, e logo em 2017 o Distrito Federal começou a agir desta maneira, tratando todos os casos de morte violenta ou mesmo DESAPARECIMENTO de mulheres como se fossem – a priori – feminicídios. É provável que muitas outras unidades federativas tenham seguido a recomendação do documento publicado pelas Nações Unidas.

O coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Maceió dá uma pista de que sim, ao falar do aumento dos números de “feminicídio” nas Alagoas: “Pode ter havido, sim, um aumento [na criminalidade], mas também pode haver um erro de análise desses dados. É preciso verificar com cada unidade policial onde houve morte de mulher e confirmar se essa morte é feminicídio ou não para aí ter um dado mais concreto e definir se houve um aumento”, disse Eduardo Mero.

A fala não é tão explícita quanto à de seu colega brasiliense, mas indica que – também nas Alagoas – pode estar ocorrendo uma tendência a classificar previamente qualquer morte de mulher como “morte por ser mulher”.

FRAUDE É UTILIZADA HÁ ANOS, POR ONGS LGBTS

Tratar mortes aleatórias como “mortes motivadas por ódio contra um grupo” não é novidade criada pelos que fabricam os números de “mortes por ódio às mulheres”.

Instituições como o GRUPO GAY DA BAHIA, a UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, a TRANSGENDER EUROPE, entre outras vêm há anos divulgando listas de “pessoas assassinadas por motivo de ódio a homossexuais no Brasil”. O mesmo tipo de fraude acontece em outros países, como os Estados Unidos da América.

Nas listas produzidas por estes organismos encontra-se de tudo: suicídios, mortes por overdose, mortes por causas naturais, mortes de assaltante trocando tiros com a polícia, mortes por bala perdida, assassinatos em que o autor do crime era também homossexual, mortes por acidente de trânsito… tudo vai para as famosas listas de “crimes homofóbicos”.

O uso de suicídios, desaparecimentos e mortes não elucidadas para inflar os dados de “mortes motivadas por ódio à condição feminina” representa uma nova institucionalização da fraude, um novo patamar na produção de dados falsos por parte de organismos oficiais como secretarias de segurança pública (para além da própria fraude presente na definição legal de “feminicídio”: a de que assassinato cometido por parente contra uma mulher é  “crime de ódio contra as mulheres”).

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