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A antropóloga Camila Rocha Firmino acaba de publicar, na Revista Estudos Feministas (periódico vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina), mais um artigo de natureza acadêmica baseado nos dados fraudulentos do Dossiê Lesbocídio (estudo com números falsos de mortes por “lesbofobia”, publicado por três estudiosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Camila diz que uma “inovação do Dossiê… é sua abordagem quanto ao suicídio de lésbicas, o qual é compreendido como lesbocídio, pois suas causas relacionam-se ao isolamento e ao preconceito que enfrentam as lésbicas”, ou seja: a estudiosa considera inovador que as suas colegas do Rio de Janeiro tenham aplicado um declive escorregadio, interpretando qualquer caso de suicídio de lésbica como sendo consequência indissociável do preconceito que lésbicas eventualmente sofram ao longo da vida.

Nada impede que uma fraude seja inovadora, mas não é o caso: já há algumas décadas o Grupo Gay da Bahia comete o mesmo tipo de manipulação, classificando todo e qualquer suicídio de homossexual (lésbica ou gay) como se fosse caso de morte motivada por homofobia. Não há, portanto, inovação alguma em classificar suicídios em que a vítima seja homossexual como se fossem necessariamente mortes motivadas por preconceito.

Fabiola dirigia este veículo, roubado por ela minutos antes, quando (durante troca de tiros com policiais) perdeu o controle da direção, capotou e morreu. Uma das mortes listadas como “lesbocídio” em estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Camila afirma que “O documento (Dossiê Lesbocídio) delineia um problema: o assassinato de lésbicas por motivação de ódio a um determinado tipo de mulher”.

A antropóloga não faz menção ao fato de que o que as autoras do Dossiê Lesbocídio classificaram lésbica morta enquanto dirigia carro roubado e trocava tiros com policiais militares, lésbicas que foram fuziladas dentro de boca de fumo por membro de quadrilha rival e lésbicas que morreram assassinadas pelas próprias namoradas lésbicas como “assassinatos de lésbicas por motivação de ódio a um determinado tipo de mulher”.

A pesquisadora, que atualmente está cursando o doutorado em Antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, sugere que os números apresentados devam servir como justificativa para provocar “o poder público para a inserção do recorte de orientação sexual e de identidade de gênero na produção dos registros administrativos e pesquisas estatísticas”.

Camila talvez não saiba, mas estes recortes especiais já existem. Por exemplo: o Ministério da Saúde determina que todo o atendimento médico de mulher e de homossexual em que haja suspeita de violência seja notificado em formulário próprio e inserido no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Violências contra homens e contra heterossexuais só devem ser notificadas em alguns casos.

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Formulário de notificação do Ministério da Saúde determina tratamento diferenciado com base em sexo e sexualidade. Casos de suspeita de violência contra mulheres e homossexuais devem ser sempre notificados; contra homens heterossexuais, só em alguns casos.

O estudo de Camila é importante, apesar de tudo. É importante porque revela, mais uma vez, o descompromisso de parte da comunidade acadêmica com a verdade e com o rigor científico.

Mesmo após a pública comprovação da grotesca fraude contida no estudo conduzido pelas pesquisadoras do Largo de São Francisco, parte da academia continuará replicando os dados fraudulentos produzidos pelas três acadêmicas. Parte dos estudiosos de alta titulação continuarão mencionando o Dossiê Lesbocídio como sendo fonte confiável de informação sobre casos de mortes por “motivo de lesbofobia ou ódio, repulsa e discriminação contra a existência lésbica”. E estes estudos (tanto o original quanto os baseados nele) continuarão sendo usados para que se “sugira” ainda mais tratamentos discriminatórios por parte do Estado brasileiro.

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