Rio de janeiro, 13 de outubro de 2020

Como já foi publicado anteriormente em Quem a homotransfobia não matou hoje?, o IBGE revela, através da Síntese dos Indicadores Sociais 2019, que mulheres estão em melhor situação que homens em todas as seguintes categorias: acesso a saneamento básico, acesso a internet, acesso a educação, acesso a condições de moradia e acesso a proteção social.

Estes são os principais indicadores usados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para mensura os padrões de condição de vida da população brasileira. Quando se acrescenta a variável “cor ou raça” à análise, homens pretos ou pardos aparecem em pior situação que qualquer outro grupo.

Na Síntese dos Indicadores Sociais de 2019 (que se baseia nos dados colhidos pelo IBGE em 2018, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) 32,6% dos homens pretos ou pardos não tinham acesso mínimo à educação segundo os critérios do IBGE, 4,1% não tinha acesso aos mínimos requisitos de proteção social estabelecidos pelo órgão, 15,6% viviam em condições inadequadas de moradia, 45,6% não tinham acesso a saneamento básico adequado e 24,8% não tinham acesso a internet.

Em todos estes critérios, mulheres brancas, homens brancos e mulheres pretas ou pardas estavam em melhor situação social que homens pretos ou pardos. De modo geral mulheres brancas eram o grupo com melhores índices, exceto pelo critério “condições de moradia”, em que homens brancos apareciam em melhor condição geral.

Tivemos acesso a dados mais detalhados através do documento tabulações especiais sobre as condições de vida da população brasileira. Algumas informações que não são apresentadas na SIS 2019 aparecem neste documento. Elas permitem entender ainda melhor os padrões de restrição de acesso a saneamento básico e a condições de moradia por sexo e por cor/raça.

SANEAMENTO BÁSICO

As tabelas publicadas pelo IBGE revelam que o serviço que mais faz falta aos brasileiros neste campo é o esgoto sanitário: 35,7% dos entrevistados não tinham acesso ao serviço. Já a coleta de lixo é mais universalizada: apenas 9,7% responderam não receber lixeiro na porta de casa. Finalmente, 15,1% dos brasileiros não têm água encanada.

IBGE: 43,9% dos homens pretos ou pardos não possuem esgoto sanitário em seus domicílios, entre mulheres brancas taxa é de 26,9%.

Quando o IBGE apresenta os dados recortados por sexo e por sexo e etnia não há novidade: mulheres brancas são o grupo em melhores condições quanto aos três serviços: homens pardos ou pretos estão em piores condições em relação a todos os três.

MORADIA

Neste quesito há muita informação que não foi considerada na SIS 2019 e que aparece nas tabulações publicadas pelo IBGE. A SIS 2019 revelou que 15,6% dos homens pretos ou pardos, 15,44% das mulheres pretas ou pardas, 9,4% das mulheres brancas e 9,0% dos homens brancos viviam em condições inadequadas de moradia (este é o único critério em que as mulheres brancas não se saíram melhor que qualquer outro grupo).

O IBGE define “condições de moradia” com base em 4 critérios: morar numa casa feita com materiais duráveis, que não tenha muitas pessoas (3 ou mais) dormindo em cada quarto da casa, que tenha banheiro de acesso exclusivo aos moradores da casa e cujo aluguel não custe mais de 30% da renda familiar.

Analisando estes critérios de forma separada, mulheres brancas só não ficaram em melhor situação no custo do aluguel: aliás, este foi o único critério também em que homens pretos ou pardos não ficaram na pior posição.

Há mais homens que mulheres vivendo em casas sem banheiro exclusivo, construídas com materiais inadequados e/ou com quantidade excessiva de moradores. Mais mulheres que homens vivem em casas que custam acima de 30% da renda familiar.

Há algumas informações adicionais que o IBGE apresenta na tabela: quanto ao número de cômodos que não são utilizados nem para dormir nem como banheiro, 49,8% das mulheres moram em casas com mais de 3 cômodos que não são usados nem como banheiro nem como quarto: 49,1% dos homens brancos, 38,1% das mulheres pretas ou pardas e 37,4% dos homens pretos ou pardos vivem na mesma situação. Já quanto a casas em que todos os cômodos são usados como banheiro ou como dormitório, são os homens pretos ou pardos o maior percentual: 4,9% contra 2,1% das mulheres brancas.

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