Rio de janeiro, 14 de outubro de 2020

O deputado federal Alexis Fonteyne publicou hoje em sua página no Facebook um pedido explícito para que os eleitores preferissem votar nas candidatas femininas do partido à Câmara de Campinas: “Você sabia? Dos 33 vereadores de Campinas só tem uma mulher. Vamos mudar essa realidade elegendo mulhes do NOVO”.

A publicação apresentava cinco mulheres sorridentes e poderia ser confundida com uma postagem do PSOL, exceto pelo fato de que nenhuma das candidatas apresentadas era mulata nem transexual nem aparentava ser lésbica.

A postagem gerou reclamação de dezenas de usuários do Facebook, homens e mulheres, que criticavam o teor identitário na postagem de um partido que, teoricamente, se opõe ao identitarismo.

A usuária Helena Pagnussat, por exemplo, comentou: “Vote em pessoas competentes, indiferente de sexo” enquanto o usuário João Felipe Amorim disse que “Não voto em SP, mas se votasse não votaria em mulher por ser mulher”.

As respostas do político foram surpreendentes: “Vote pela competência e não pelo gênero”, “Tem que votar em pessoas competentes, independente se é homem ou mulher”.

À esquerda, deputado pede para preferir as mulheres, a fim de aumentar o número de vereadoras: à direita, político pede para não levar gênero em consideração na hora de votar.

O Alexys precisa se decidir se é pra votar em mulheres para resolver o “problema” do baixo número de mulheres na Câmara de Campinas ou se é pra votar em pessoas competentes independente do sexo: é linguiça ou salsicha, deputado?

EM SEUS PRIMEIROS MANDATOS, DEPUTADOS DO PARTIDO APOIARAM PAUTAS IDENTITÁRIAS NO CONGRESSO

Embora divulgue associação a intelectuais anti-identitários, como Thomas Sowell e Ayn Rand, as pautas sexistas que tramitaram no Congresso em 2019 e 2020 não enfretaram objeção por parte da bancada do partido NOVO.

Um exemplo foi a Lei nº 13.871, de 2019, de autoria dos deputados Mariana de Carvalho (PSDB de Rondônia) e Rafael Motta (PSB do Rio Grande do Norte). A lei alterou o texto da Lei Sexista Maria da Penha para criar uma punição exclusiva para os casos de violência doméstica em que a vítima for do sexo feminino: o ressarcimento dos gastos, inclusive ao Sistema Único de Saúde.

A nova norma, sancionada por Jair Bolsonaro no final de 2019, funciona assim: se uma tia espancar a sobrinha de 6 anos de idade a ponto de a criança ficar internada na enfermaria de um hospital público, a tia deverá ser condenada a pagar todo o gasto aplicado pelo SUS no tratamento da menina. Já se uma outra tia espancar um sobrinho de 6 anos de idade a ponto de ele ter que ficar internado na UTI de um hospital público, a tia não terá que desembolsar nem um centavo, já que a vítima é do sexo masculino.

Esta proposta foi aprovada por “votação simbólica” na Câmara dos Deputados, o que significa que nenhum dos deputados, de nenhum partido, se manifestou contra a proposta. Quanto ao partido NOVO, o deputado Vinícius Poit comemorou a aprovação da lei mencionada acima e parabenizou a deputada Mariana em suas redes sociais.

Poit, do NOVO, parabenizou deputada rondoniense pela autoria de lei que estabelece penas diferentes para agressões idênticas contra meninas e meninos, mulheres e homens.


Tramita também na Câmara uma Proposta de Emenda Constitucional que pretende transformar apenas os feminicídios em crimes imprescritíveis, os demais assassinatos (latrocínios, assassinatos passionais contra homens, assassinatos cometidos por mulheres contra crianças do sexo masculino) continuariam precrevendo em 20 anos. Entramos em contato com o deputado Paulo Ganime, do partido NOVO, pedindo posicionamento quanto à proposta. Ele disse não concordar com a PEC, mas até o momento não sabemos de nenhuma objeção formal feita por nenhum deputado à proposta (que já foi aprovada por unanimidade no Senado e espera apenas aprovação na Câmara para que a alteração na Constituição seja definida).

As autoras destes dois crimes não serão punidas com base na lei aprovada pela bancada do NOVO e comemorada por Vinicius Poit, vítimas eram do sexo masculino.

CLIQUE AQUI E SIGA QUEM A HOMOTRANSFOBIA NÃO MATOU HOJE? NO FACEBOOK

2 pensamentos

    1. Porque ele apoia tanto estas pautas quanto qualquer progressista: de fato foi durante os últimos 2 anos que mais foram sancionadas novas leis que alteram (aumentam) o texto da Lei Maria da Penha Foram seis no total, falamos delas em um post anterior.

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