Rio de Janeiro, 22 de novembro de 2020
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No dia 19 de novembro um homem pardo morreu após uma confusão em um hipermercado de Porto Alegre. Em questão de horas, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos se tornou mundialmente conhecido. Sua vida foi esmiuçada pela grande imprensa: adotou um gatinho, era um filho amoroso e um amigo brincalhão, torcia para o São José, era carinhosamente conhecido como Beto.

Uma vítima pura e indefesa de um vilão malvado, rico e poderoso: o Carrefour, uma rede francesa de hipermercados que trata de maneira racista os seus clientes de pele morena, por vezes os matando.

Mas a história de João Alberto não é nova: ela foi contada dezena de vezes. Apenas no último ano, nos Estados Unidos, diversas pessoas também afrodescendentes se tornaram célebres através do mesmo roteiro: jovem pacífico, marido amoroso, filho gentil, cheio de sonhos, negro, morto covardemente por uma polícia racista, sem nenhuma explicação.

Graças à história de João Alberto, me chegou a recomendação de um filme lançado por Brian de Palma lá no longiquo 1990: A Fogueira das Vaidades. O filme – uma comédia dramática mais divertida que dramática – é adaptação de um livro editado por Tom Wolfe em 1987. João Alberto tinha cerca de 07 anos de idade no lançamento do livro, cerca de 10 anos de idade no lançamento do filme, mas parece que sua história já era bem conhecida.

No roteiro, escrito por Michael Cristofer, um jovem negro é atropelado no subúrbio de Nova York, depois de um casal interpretado por Tom Hanks e por Melanie Griffith se perder no caminho entre o aeroporto JFK e o ninho de amor onde namoravam escondidos. A personagem interpretada por Tom atropelou o menino, um bom menino: adolescente estudioso, aluno exemplar, filho dedicado, rapaz religioso. Atropelou covardemente, um menino que havia apenas cometido o crime de estar andando a noite na vizinhança, e nem prestou socorro. Covarde.

Bem, quase isso. Como eu disse, a história é muito semelhante à de João Alberto. Talvez eu esteja te contando apenas a narrativa vendida pelo jornalista interpretado por Bruce Willis.

Melhor você assistir o filme inteiro, antes que eu dê mais spoiler. Atenção especial ao diálogo no escritório do político judeu, com seus assistentes de campanha e com alguns membros do “Ministério Público” de Nova York: é de capotar o Corsa.

Vá até o mercado mais próximo, compre um saco de pipoca Yoki e uma garrafa de Pepsi Black, depois volta aqui e dá um play no vídeo abaixo.

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