Rio de Janeiro, 13 de janeiro de 2021
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O Ministério da Saúde disponibilizou os dados de Violência Interpessoal e Autoprovocada de 2018, os mais recentes disponíveis no portal TABNET, do DATASUS. Os números dizem respeito às notificações feitas por médicos e outros profissionais de saúde quanto a atendimentos de casos suspeitos ou confirmados de violência.

Em 2017, foram notificados 86 697 atendimentos em que a vítima era do sexo masculino 220 559 atendimentos notificados em que a vítima era do sexo feminino. Em 2018 os números passaram para 97 578 e 252 668, respectivamente.

Você pode, a partir dos dados acima, inferir as duas seguintes informações: o número de mulheres vítimas de violência é maior que o número de homens vítimas de violência e o número de homens e mulheres vítimas de violência estão aumentando, certo e certo?

Errado e errado!

Em primeiro lugar, as regras do Ministério da Saúde determinam que TODAS as violências contra mulheres sejam notificadas, mas apenas ALGUMAS violências contra homens devem ser informadas pelos médicos ao Ministério. Se um casal de namorados heterosssexuais com idade de 24 e 26 anos, brancos, forem baleados enquanto caminham na praia do Flamengo o Ministério da Saúde determina que a violência contra ELA seja notificada pelos profissionais de saúde, mas a contra ELE não seja.

Desta forma, os dados de notificação de violência saídos das unidades de saúde de todo o país se tornam enviezados e é impossível uma comparação honesta baseada no sexo da vítima.

Sem título
Cabeçalho da ficha de notificação de violência indica que médicos devem notificar TODOS os casos de violência contra mulheres, mas não contra homens (em caso de a violência ser contra homem a notificação depende da idade, sexualidade e outros fatores).

Um outro ponto é que a implementação do SINAN (que é o sistema pelo qual o Ministério coleta estes dados) ainda está incompleta: muitas unidades de saúde, embora obrigadas por lei, ainda não estão preparadas (por falta de pessoal ou recursos técnicos ou treinamento) para enviar os dados.

Desta maneira, os números de NOTIFICAÇÕES vêm crescendo todos os anos, mas isto não significa necessariamente um número maior de casos. Eu discuto melhor e mais detalhadamente, com fontes, estas e outras dificuldades metodológicas do SINAN neste post aqui em que colaborei com o blog Raciocínio Aberto a convite do meu amigo matemático, cientista da computação e cientista cognitivo André Luzardo. Clique e entenda mais o funcionamento (ou não funcionamento) dos dados de Violência Interpessoal e Autoprovocada divulgados pelo Ministério da Saúde

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4 pensamentos

  1. Tem um errinho, foi marcado duas vezes “seco masculino” – ” foram notificados 86 697 atendimentos em que a vítima era do sexo masculino 220 559 atendimentos notificados em que a vítima era do sexo masculino “

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