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Nunca na história deste país o Big Brother Brasil foi tão inclusivo.

Há 10 dias, o fofoqueiro profissional Fefito anunciava que a edição 2021 do programa global teria o maior número de negros e LGBTs da história: a “casa”, que no passado investia pesadamente em mulheres e homens de beleza padrão (altos, brancos, magros, musculosos), com uma ou outra personagem mais excêntrica, foi progressivamente se tornando um parquinho das minorias. Os excêntricos se tornaram a regra da “atração”.

A novidade — talvez planejada para gerar mais ibope, talvez um efeito colateral não previsto — é que agora os barracos são interminoritários: virou olimpíada da opressão.

Antes sabíamos que se uma mulher acusava um homem de abuso sexual — durante o programa — ele deveria ser expulso, mesmo que não houvesse nenhuma prova da ofensa. Sabíamos que se um homem branco fizesse comentários que algumas pessoas portadoras de feminilidade frágil consideram ofensivos, ele deveria ser retirado do programa e investigado pela polícia. E agora? Como devemos nos posicionar?

Quando um preto reclama de uma branca porque ela não quer dar pra ele debaixo do edredom isso é machismo ou racismo? E quando uma mulata ícone da comunidade LGBT usa adjetivos proibidões pra se referir aos paraíbas, ela é xenófoba ou lacra?

Pois então: num mundo onde até homens héteros e mulheres lésbicas são publicamente acusados de “transfobia” quando não aceitam se relacionar sexual ou amorosamente com uma “mulher do sexo masculino”, não surpreende que uma mulher loira tenha sido acusada de racismo por não ter aceitado ficar com um homem pardo. Se uma mulher loira é acusada de racismo por não ter vontade de formar casal com um sujeito mulato, quem é o oprimido e quem é o privilegiado?

Bom, Kerline Cardoso chorou e se justificou: ela jurou que não é racista, e que já até ficou com um negro. Aí a moça se deu mal. Até onde estudei, a galera lacradora considera que tentar provar que não é racista dizendo coisas como “já até namorei com um negro” é uma das maiores provas de racismo: go figure.

Outra das novas polêmicas promovidas pela versão mais “inclusiva” do programa global foi estrelada por uma das maiores divas das causas gay e feminista no Brasil: a funkeira Karol com K.

Ela tretou com uma outra participante, oriunda de um estado do nordeste, e durante a briga mandou na lata: “na terra dessa pessoa é normal falar assim”. Karol é uma mulata que nasceu na chiquérrima e esnobíssima cidade de Curitiba, capital do Paraná. A rival é uma branca que nasceu na paupérrima Campina Grande, na Paraíba. Quando uma mulata sulista troca desaforos com uma branca nordestina, isso é xenofobia ou racismo?

É claro: ainda existem brancos supostamente héteros no BBB 2021.

Pelo que fui informado, eles estão chorando e pedindo desculpas por serem brancos, por serem homens e por (até onde se sabe) não darem o rabo. É o que lhes resta.



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