Dois estudos amplos e recentes conduzidos entre estudantes dos EUA chegaram a conclusões parecidas: jovens LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais ou transexuais) parecem sofrer tanta (ou mais, em alguns casos) violência por parte de seus parceiros amorosos quanto jovens heterossexuais. Os resultados se baseiam em mais de 100 mil entrevistas.

O estudo “Associations Between LGBTQ-Affirming School Climate and Intimate Partner Violence Victimization Among Adolescents“, publicado em 2020 na “Prevention Science”, baseou-se num questionário realizado em escolas de Ensino Médio de pontos diversos do país, o “The Youth Risk Behavior Survey”. As perguntas foram respondidas por 33 395 alunos.

Os pesquisadores separaram os dados de acordo com as auto-definições de sexualidade (hétero, bi, homo ou não definida) e quanto à experiência sexual prévia (exclusivamente hétero, exclusivamente homo, com ambos os sexos ou sem experiência) dos estudantes.

O resumo anuncia que violências entre casais formados por adolescentes LGBTs são semelhantes ou mais frequentes que entre os casais adolescentes formados por heterossexuais.

Entre os que tinham apenas experiências heterossexuais, 10,57% haviam sofrido algum tipo de violência física por parte do parceiro amoroso nos últimos 12 meses. Entre os que tinham se envolvido somente em relações homossexuais, 21,35%. Entre os que haviam se relacionado com pessoas de ambos os sexos, 23,34%.

Quando considerados apenas abusos sexuais (sexo forçado, por exemplo) as prevalências foram similares às encontradas acima: 11,14%, 22,54% e 30,10% respectivamente.
Segundo o mesmo estudo, jovens do sexo feminino foram mais prevalentes entre as vítimas de violência física, mas numa razão menos significativa que aquela encontrada com base na sexualidade.

Enquanto 10,67% das meninas disseram ter sofrido violência física do parceiro ou parceira amorosa, 7,94% dos meninos responderam o mesmo. Com relação à violência sexual a diferença foi maior, 14,55% vs 6,79%.

Entre os grupos étnicos também houve diferença, e também discreta: 8,23% dos brancos, 9,75% dos negros, e 11,92% dos latinos declararam ter apanhado dos namorados.
Comparados os sexos e as sexualidades em conjunto: os alunos do sexo masculino que só tinha experimentado relacionamentos homossexuais foram muito mais propensos que os alunos heterossexuais a sofrer tanto abusos físicos quanto sexuais.

Já as alunas que só tinham se envolvido em relações lésbicas foram mais propensas a sofrer abusos físicos e menos propensas a sofrer abusos sexuais de suas namoradas, em comparação com as alunas que só tinham experiências heterossexuais, mas a diferença (em ambos os casos) foi pouco significativa.

Houve pouca diferença entre meninas lésbicas e meninas heterossexuais: elas tiveram risco um pouco maior de apanharem e risco um pouco menor de serem sexualmente abusadas pelas namoradas. Já os meninos gays foram muito mais agredidos que os meninos héteros.


O estudo também buscou indícios estatísticos de associação entre o quanto a escola fosse LGBT-inclusiva (de acordo com os resultados de outra pesquisa prévia) e as prevalências de violência, mas os resultados foram confusos. Por exemplo: entre as escolas mais LGBT-inclusivas observou-se menores índices de violência física amorosa entre jovens gays e bissexuais masculinos ao mesmo tempo que se observou um aumento das violências sexuais entre gays e lésbicas.

OUTRO ESTUDO:

Publicado em 2018, o estudo “Experiences of Intimate Partner Violence Among Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender College Students: The Intersection of Gender, Race, and Sexual Orientation” foi baseado num questionário diferente, respondido por estudantes do Ensino Superior, o “National College Health Assessment”–II.

88 975 alunos responderam ao questionário e os achados caminham no mesmo sentido.
De acordo com o resumo, estudantes universitários lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) experimentam taxas desproporcionais de violência cometidas por parceiros íntimos (IPV) em comparação com seus homólogos heterossexuais e cisgêneros tanto no que diz respeito à violência física quanto às violências psicológica e sexual.

VIOLÊNCIA AMOROSA: QUESTÃO DE GÊNERO OU QUESTÃO HUMANA?


Os resultados de ambos os estudos, como os de inúmeros outros, afrontam diretamente a narrativa sexista feminista pela qual a violência entre parceiros íntimos é uma forma específica de opressão de homens contra mulheres.

Fosse assim, não seria esperado que em relacionamentos homossexuais – tanto masculinos quanto femininos – os dados de violência entre companheiros fossem semelhantes, ou até maiores, que aqueles encontrados nas relações heterossexuais.

PARA OUTROS DADOS SOBRE O MESMO TEMA:

https://naomatouhoje.blog/2019/03/20/violencia-entre-parceiros-intimos-por-que-as-lesbicas-nao-sao-excecao/comment-page-1/
https://naomatouhoje.blog/2020/04/08/violencia-amorosa-entre-universitarios-estudos-comparam-alunos-e-alunas-em-campi-dos-eua-pt-1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s